Ao imunizar populações historicamente vulnerabilizadas, o Estado cumpre seu papel de garantir igualdade de oportunidades / Google Gemini/Imagem Gerada por IA
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A universalização da saúde, um dos princípios fundamentais do Sistema Único de Saúde (SUS), encontra na vacinação um pilar estratégico para promover o bem-estar social e reduzir as desigualdades.
No contexto brasileiro, marcado por profundas disparidades regionais e socioeconômicas, a ampliação do acesso equitativo à imunização é essencial para concretizar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), notadamente o ODS 3 (Saúde e Bem-Estar) e o ODS 10 (Redução das Desigualdades).
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O acesso às vacinas vai além de uma questão de saúde pública, representando um importante instrumento de justiça social.
Ao imunizar populações historicamente vulnerabilizadas, o Estado cumpre seu papel de garantir igualdade de oportunidades e de proteger os direitos humanos mais básicos, como o acesso à vida e à saúde.
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Contudo, conforme apontado por estudos recentes, os desafios nesse campo são expressivos e demandam estratégias integradas.
O Brasil enfrenta barreiras estruturais significativas para alcançar uma cobertura vacinal ampla e igualitária. Entre elas, destacam-se:
Desigualdades regionais: Enquanto grandes centros urbanos possuem maior infraestrutura vacinal, comunidades rurais, indígenas e periféricas frequentemente enfrentam desafios logísticos, como a falta de postos de vacinação próximos e dificuldades de transporte.
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Hesitação vacinal e desinformação: O aumento do volume de notícias falsas e a disseminação de desinformações nas redes sociais têm ampliado a insegurança de parte da população em relação às vacinas, afetando diretamente a adesão às campanhas de imunização.
Fragilidades na governança: Limitações no planejamento estratégico e na articulação entre diferentes níveis de gestão dificultam a execução de políticas públicas abrangentes e eficientes.
Fatores socioculturais: Barreiras linguísticas, culturais e outros aspectos que afetam populações indígenas, quilombolas e outros grupos marginalizados também contribuem para a baixa cobertura vacinal nesses contextos.
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Para vencer esses desafios e promover o acesso equitativo à vacinação, algumas diretrizes se mostram indispensáveis:
1. Fortalecimento da atenção básica: Investir em unidades de saúde da família e em programas que priorizem populações em situação de vulnerabilidade deve ser central para ampliar o alcance da imunização.
2. Políticas redistributivas: Os recursos destinados à saúde devem ser alocados com base nas necessidades de cada região, priorizando áreas historicamente negligenciadas.
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3. Educação e comunicação: Campanhas de conscientização baseadas em dados científicos são essenciais para combater a desinformação e reforçar a confiança pública nas vacinas.
4. Participação social: Mobilizar a comunidade, envolvendo lideranças locais, conselhos de saúde e organizações da sociedade civil, é essencial para fortalecer o engajamento nas iniciativas de vacinação.
Vacinação como Alicerce para os ODS
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A imunização se consolida como prática indispensável para o cumprimento dos ODS, contribuindo não apenas para a redução das doenças infecciosas, mas também para o fortalecimento da cidadania e da equidade social.
A universalização do acesso à vacinação é um reflexo direto da capacidade do Estado de respeitar os princípios de inclusão, equidade e justiça social.
Sobretudo, é preciso reconhecer que saúde e combate às desigualdades são metas indissociáveis. Modelos de gestão intersetoriais, planejamento estratégico e formulação de políticas públicas que priorizem os mais vulneráveis são passos essenciais para cumprir os compromissos globais e promover o desenvolvimento sustentável.
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A construção de um Brasil saudável e igualitário passa pela vacina — uma medida simples, mas de impacto profundo e transformador para a sociedade.
O estudo acadêmico completo pode ser conferido no link
* Por Graziela de Paula Povrezan, Luzana Mackevicius Bernardes, Lourdes Conceição Martins, Eduardo Carvalho de Souza (Observatório das Vacinas - UNISANTOS) e Viviane de Paula ( Mestre em Educação, Auditora ESG ABNT PR2030 e Auditora ODS - Plataforma ODS) .
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