O Santos encaminhou um ofício à CBF nesta quinta-feira (27) pedindo a anulação do jogo contra o Flamengo, na última quarta, que resultou na eliminação da equipe nas quartas de final da Copa do Brasil. O Peixe venceu a partida, por 4 a 2, mas ficou a um gol da classificação para a semifinal.
No fim da primeira etapa, a equipe santista teve um pênalti assinalado ao seu favor, mas o árbitro Leandro Vuaden voltou atrás na marcação após conversa com o quarto árbitro, Flavio Rodrigues de Souza. Um possível gol na penalidade máxima seria suficiente para o time chegar na próxima fase.
Em parte do ofício, o Alvinegro Praiano cita a interferência do repórter Eric Faria, da Rede Globo, que auxiliava na transmissão da partida. Segundo o clube, ele teria sido comunicado de que não houve pênalti e passou a informação a Flavio Rodrigues, que foi quem avisou Vuaden após a marcação da infração.
“As decisões do árbitro são soberanas e a interferência externa não é autorizada pela FIFA ou CBF, tampouco recomendada pela comissão de arbitragem nacional”, diz o documento oficial, protocolado pela presidência do clube.
O Santos ainda alega que o repórter em questão é reincidente e teria também influenciado em gol marcado pelo zagueiro Henrique, do Fluminense, em clássico contra o Flamengo, no fim do último Brasileirão. “Ele deveria se comportar como jornalista e não como torcedor do time do coração”.
Com o documento enviado, a equipe santista espera que quatro providências sejam tomadas pela entidade máxima do futebol brasileiro. São elas: anulação da partida; proibir que repórteres permaneçam na lateral do campo e se comuniquem com a equipe de arbitragem durante as partidas; punir adequadamente a equipe de arbitragem que atuou em referida partida; descredenciar Eric Faria como repórter de campo.
Confira o ofício enviado pelo Santos Futebol Clube à CBF:
“Vimos, pelo presente, apresentar para vosso conhecimento, os fatos repugnáveis ocorridos ontem, 26 de julho de 2017, em partida de volta das quartas de final da Copa do Brasil, entre Santos e Flamengo.
Tais fatos influenciaram diretamente no resultado da partida e, principalmente, na não classificação do Santos para as semifinais da competição.
Ocorre que aos 40 minutos do primeiro tempo, quando o placar da partida estava empatado em 1 a 1, o árbitro Leandro Pedro Vuaden anotou um pênalti do zagueiro Réver, do Flamengo, sobre o atacante Bruno Henrique, do Santos. Insistimos: ele anotou a penalidade.
O árbitro, autoridade máxima da partida, estava a poucos metros de distância do lance e interpretou o contato do zagueiro com o atacante como faltoso e dentro dos limites da grande área. Porém, mais de 1 minuto após de sua marcação, influenciado pelo 4º árbitro, Sr. Flavio Rodrigues de Souza, que estava na linha de meio-campo, a penalidade foi cancelada e o Sr. Vuaden determinou a cobrança de escanteio.
Novamente, estamos diante de um caso em que o árbitro revoga sua marcação por comunicação do quarto árbitro, cuja participação teria sido provocada pelo repórter de campo, Sr. Eric Faria, da Rede Globo de televisão, que é elemento alheio ao certame, devendo se comportar como jornalista e não como torcedor de seu time do coração.
Aliás, esta atitude do repórter parece ser recorrente, visto que já foi criticada pela Diretoria do Fluminense: http://torcedores.uol.com.br/noticias/2016/10/dirigente-do-fluminense-acusa-reporter-da-globo-de-protecao-ao-flamengo
Reportar ao 4º árbitro sua impressão do lance após ver replay na televisão não é função nem atitude condizente com um jornalista esportivo.
Esta ação repudiável foi testemunhada por dezenas de pessoas e pode ser constatada no vídeo da partida e em fotografias tiradas por outros veículos de mídia.
Destacamos que é a terceira oportunidade recente em que interferências externas atuam na remarcação de lances capitais de partidas de futebol no Brasil, a saber:
Fluminense x Flamengo, em 13 de outubro de 2016;
Avaí x Flamengo, em 11 de junho de 2017;
Santos x Flamengo, em 26 de julho de 2017;
Entendemos que tais fatos devam ensejar a anulação da partida, pelo bem do futebol nacional e da credibilidade da entidade que V.Sa preside.
As decisões do árbitro são soberanas e a interferência externa não é autorizada pela FIFA ou CBF, tampouco recomendada pela comissão de arbitragem nacional.
Do ponto de vista desportivo e institucional, solicitamos as providências perante a comissão de arbitragem, para análise da conduta do árbitro e seus auxiliares, bem como junto a detentora dos direitos de transmissão sobre a postura de seus prepostos.
Não obstante, solicitamos a V.Sa que tome as providências no sentido de:
Anular a partida;
Proibir que repórteres permaneçam na lateral do campo e se comuniquem com a equipe de arbitragem durante as partidas;
Punir adequadamente a equipe de arbitragem que atuou em referida partida;
Descredenciar o Sr. Eric Faria como repórter de campo.
Certos de sua compreensão e providências, firmamos a presente com o respeito e as homenagens de praxe.”
