Imprudência no armazenamento de substância pode ter favorecido incêndio

Segundo especialista, a entrada de água em contêiner deveria ser prevista por responsáveis técnicos

A imprudência no armazenamento dos produtos químicos pode ter favorecido o incêndio no terminal da Localfrio. Segundo especialista, o ácido de dicloroisocianurato de sódio – principal composto químico acondicionado nas caixas metálicas atingidas pelas chamas – requer cuidados com relação à infiltrações. Nessas condições, quanto menor a quantidade de água em contato com o produto, maior o risco de explosão.  

“A entrada de água deve ser prevista pelos responsáveis técnicos para que as providências de segurança sejam tomadas. A reação do ácido com água é exotérmica, isto é, libera calor. Essa liberação de calor é perigosa para alguns ácidos dependendo da natureza do composto. Existe uma regra de segurança laboratorial baseada na reação da água com o ácido”, afirmou Caio Faiad, Químico Ambiental e professor da Universidade Metropolitana de Santos (Unimes).

Segundo o especialista, no laboratório, quando o ácido é adicionado na água, a energia liberada é dissipada na grande quantidade de água. No entanto, quando a água é adicionada no ácido, a energia liberada é incontrolável e pode haver explosão mesmo em pequena escala.

“Pensando no local do acidente, dentro do contêiner havia muito ácido, a quantidade de água que entrou no local em relação a quantidade de ácido era pequena, então a energia foi se acumulando e pode ter ocasionado a explosão”, explicou. 

O professor destacou que o desafio daqui para frente será analisar os danos dos produtos liberados no incêndio. “O dicloroisocianurato de sódio possui cloro e os produtos da combustão que tiverem esse elemento químico causa problemas nas vias respiratórias. Por ter nitrogênio na composição, durante o incêndio pode ter gerado óxidos de nitrogênios que são causadores de chuva ácida. A acidez da chuva impacta todo ecossistema causando mortes de animais”.

Segundo a Cetesb, havia no local 85 contêineres, dos quais 90% com o ácido dicloroisocianurato de sódio, usado principalmente na desinfecção de piscinas. O restante, segundo o órgão, era peróxido orgânico e nitrato de potássio.