Relembre a trajetória do atleta que recusou a NBA para defender a Seleção e se tornou o maior pontuador de todos os tempos
O mundo do esporte está em luto nesta sexta-feira (17) com a notícia do falecimento de Oscar Schmidt, aos 68 anos, em São Paulo, após sofrer um mal-estar. A partida da lenda, no entanto, abre espaço para celebrar um legado que transcende gerações.
Conhecido mundialmente como o Mão Santa, Oscar não foi apenas um jogador; ele foi o arquiteto de recordes que pareciam inalcançáveis e o rosto de uma era de ouro que colocou o basquete brasileiro no topo do pódio mundial.
Nascido em Natal (RN), em 1958, o ex-jogador de 2,05m de altura, irmão do apresentador Tadeu Schmidt, da Globo, construiu uma das carreiras mais longevas e produtivas do esporte profissional. Ao longo de 26 anos, ele acumulou a impressionante marca de 49.973 pontos.
O número o manteve como o maior pontuador da história do basquete mundial até 2024, quando o recorde foi superado de forma oficial por LeBron James – embora as marcas de Oscar, muitas vezes registradas em súmulas brasileiras que exigiram estudos de biógrafos, sigam sendo veneradas pela FIBA como prova de sua precisão cirúrgica.
O herói que disse não à NBA
Um dos traços mais marcantes da trajetória de Oscar foi sua lealdade à camisa verde e amarela. Selecionado pelo New Jersey Nets no draft da NBA em 1984, ele recusou o convite para atuar na liga americana por diversas vezes.
Naquela época, as regras da Federação Internacional de Basquete (FIBA) impediam que profissionais da NBA jogassem por suas seleções nacionais.
Para não abrir mão de representar o Brasil, o Mão Santa escolheu brilhar na Europa e no mercado nacional, onde defendeu clubes como Sírio, Palmeiras e Flamengo.
Sua dedicação rendeu frutos históricos. Oscar participou de cinco edições consecutivas dos Jogos Olímpicos (de Moscou 1980 a Atlanta 1996) e permanece como o cestinha histórico da competição, com 1.093 pontos.
Em Seul (1988), ele atingiu o ápice técnico ao registrar a maior média de pontos de uma única edição: assombrosos 42,3 pontos por partida.
Indianápolis, 1987: o dia em que o Brasil derrubou gigantes
A relevância de Oscar Schmidt no esporte foi selada definitivamente em 23 de agosto de 1987. Liderando uma equipe que contava com nomes como Marcel e Guerrinha, ele protagonizou o maior feito do basquete nacional: a vitória sobre os Estados Unidos na final dos Jogos Pan-Americanos.
Jogando dentro da casa dos adversários, em Indianápolis, o Brasil reverteu uma desvantagem de 20 pontos para vencer por 120 a 115.
Foi a primeira vez que os norte-americanos perderam em seu próprio território. O impacto daquelas bolas de três pontos disparadas por Oscar foi tão grande que a conquista passou a ser tratada como a Copa do Mundo de 70 do basquete.
A imagem do ídolo deitado no chão, chorando e gritando após o apito final, tornou-se o símbolo máximo de sua paixão e garra competitiva.
Superação além das quadras
O talento de Oscar foi chancelado por todas as instâncias do esporte. Ele integra o Hall da Fama da FIBA (Suíça), o Basketball Hall of Fame (EUA) e o Hall da Fama do Comitê Olímpico do Brasil (COB).
Mesmo após pendurar as chuteiras, ele seguiu inspirando milhares de pessoas como palestrante, compartilhando as lições de disciplina que o levaram ao topo.
Fora das quadras, o Mão Santa também enfrentou desafios monumentais com a mesma resiliência.
Em 2011, foi diagnosticado com um câncer no cérebro, doença que enfrentou publicamente com otimismo e que serviu para fortalecer ainda mais sua conexão com os fãs.
Oscar Schmidt parte deixando um vazio no garrafão, mas sua marca de 49.973 pontos e sua lealdade à bandeira brasileira garantem que sua história seja contada enquanto houver uma bola laranja subindo em qualquer quadra do mundo.
