Como o taxímetro decide o preço e quais ‘regras invisíveis’ os taxistas brasileiros devem seguir

Entenda o cálculo por trás da bandeirada e o código de ética que organiza as filas nos pontos e quais exigências são necessárias para atuar como taxista

Todos os taxistas, pelo menos em grande parte, devem seguir algumas regras para conseguirem circular nas ruas

Todos os taxistas, pelo menos em grande parte, devem seguir algumas regras para conseguirem circular nas ruas | Google Gemini/Imagem Gerada por IA

É bastante comum nos depararmos com pontos de táxi próximos a lugares estratégicos, como mercados, rodoviárias, hospitais e shoppings. Mesmo que a era dos aplicativos de transporte tenha abocanhado uma parcela dos usuários, a profissão continua sendo muito relevante.

Por isso, existem regras para que um condutor mantenha sua licença válida no município onde reside. Algumas cidades mudaram a lei recentement, como é o caso de São Vicente, mas outras seguem as normas à risca, com a possibilidade de o taxista perder o alvará caso não cumpra as exigências impostas.

A matéria abaixo tem como propósito explicar como funcionam os taxis no Brasil e como conseguir uma autorização para trabalhar no setor.

Pontos

É importante destacar que existem dois tipos de ponto de táxi:

  • Privativo: destinado apenas ao estacionamento dos veículos designados em seus respectivos alvarás;
  • Livre: focado na utilização de qualquer táxi, observada a quantidade de vagas fixas.

Entretanto, uma das normas que os taxistas devem seguir é a de não abandonar o veículo no ponto. Deixar o carro sem a presença do condutor pode ocasionar multas e pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

Hierarquia da fila

Este tópico baseia-se no bom senso: o primeiro táxi posicionado na frente da fila indiana é sempre o preferencial para pegar o próximo passageiro que chegar. Quando este veículo sai, o que estava atrás avança uma posição, e assim sucessivamente.

Inclusive, muitos profissionais consideram falta de ética um taxista em posição inferior aceitar um passageiro que se aproximou à frente da fila. Em alguns locais, esse hábito é definido como infração administrativa.

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Cálculo do valor

O taxímetro utiliza um sistema de medição dual, que recebe sinais do sensor de velocidade do carro para medir o deslocamento, mas também conta com um cronômetro interno:

  • Em movimento: o valor é cobrado de acordo com a quilometragem percorrida, medida por pulsos elétricos do sensor de velocidade;
  • Parado ou em baixa velocidade: quando o táxi fica preso no trânsito ou para no semáforo (normalmente abaixo de 20 km/h), o aparelho interrompe a contagem de distância e passa a computar o tempo de espera.

O valor final é composto por três elementos principais:

  • Bandeirada: valor fixo inicial que aparece no visor quando o taxista liga o aparelho, servindo para cobrir os custos de deslocamento até o passageiro;
  • Bandeira 1: tarifa padrão usada em dias úteis e horários comerciais (geralmente das 6h às 20h);
  • Bandeira 2: tarifa com acréscimo (entre 20% e 30% mais cara), aplicada em horários noturnos, domingos ou feriados, dependendo da legislação municipal.

Negar corridas

Embora os taxistas não sejam autorizados a negar corridas, existem exceções, como destinos fora da zona de atuação ou situações que coloquem em risco a segurança do condutor.

Como conseguir a licença?

Atualmente, existem duas formas principais de obter um alvará:

  • Editais de Licitação: a Prefeitura abre processos quando há vagas ociosas ou necessidade de ampliar a frota. É necessário acompanhar o Boletim Oficial do município;
  • Transferência: é possível adquirir a licença de um permissionário que esteja desistindo da atividade, desde que o processo seja homologado pela Secretaria de Mobilidade (Semob) e as taxas sejam pagas.

1. Requisitos para o condutor:

  • CNH Definitiva com observação EAR (Exerce Atividade Remunerada);
  • Curso de Taxista (oferecido pelo SEST/SENAT ou instituições homologadas);
  • Certidões Negativas de antecedentes criminais (Estadual e Federal);
  • Inscrição Municipal (CMC) na Prefeitura.

2. Requisitos para o veículo:

  • Idade máxima de 10 anos de fabricação (em regra);
  • Padronização visual (pintura ou adesivagem branca e faixas do município);
  • Taxímetro aferido e lacrado pelo IPEM/Inmetro;
  • Vistoria anual para verificação de itens de segurança e conservação.

3. Onde ir e documentos necessários:

O interessado deve se dirigir ao Centro de Atendimento ao Contribuinte (CAC) ou à sede da Semob portando: RG e CPF (original e cópia), comprovante de residência, Título de Eleitor e o documento do veículo (CRLV).