Arqueólogos acreditam ter encontrado os restos mortais do ‘verdadeiro mosqueteiro’ que virou lenda

Charles de Batz, o verdadeiro d'Artagnan, serviu aos reis Luís XIII e XIV antes de desaparecer em batalha em 1673. Agora, uma ossada com uma moeda francesa pode encerrar a busca de séculos

Achado arqueológico em Maastricht revela restos mortais de personalidade de alto status com ferimento de mosquete compatível com a morte do lendário capitão

Achado arqueológico em Maastricht revela restos mortais de personalidade de alto status com ferimento de mosquete compatível com a morte do lendário capitão | Reprodução/Wikipédia

Um esqueleto encontrado em uma igreja na cidade holandesa onde morreu, há mais de três séculos, pode ser de Charles de Batz de Castelmore d’Artagnan, o soldado francês que inspirou o clássico Os Três Mosqueteiros. A informação foi divulgada pela imprensa local nesta quarta-feira (25).

A ossada foi descoberta por arqueólogos e trabalhadores durante reparos na Igreja de São Pedro e São Paulo, em Maastricht, após o colapso parcial do piso do templo em fevereiro.

O achado ocorreu no local onde antes ficava o altar, área tradicionalmente reservada a figuras de alta importância social ou política, o que, segundo especialistas, reforça a hipótese de se tratar de uma personalidade de alto status.

Símbolo da cultura francesa, d’Artagnan foi imortalizado pelo escritor Alexandre Dumas no século XIX. O mosqueteiro real serviu aos reis Luís 13 e Luís 14, sendo considerado homem de extrema confiança da coroa francesa e herói nacional.

Luís 14, o monarca europeu com o reinado mais longo da história (1643-1715), confiava-lhe missões secretas, assuntos de Estado e trabalhos de espionagem.

D'Artagnan morreu durante o cerco a Maastricht, em 1673, e seus restos mortais permanecem desaparecidos desde então.D’Artagnan morreu durante o cerco a Maastricht, em 1673, e seus restos mortais permanecem desaparecidos desde então

O que indica que o esqueleto pode ser de d’Artagnan?

Entre os indícios que chamaram a atenção dos arqueólogos estão uma moeda francesa encontrada ao lado do esqueleto e marcas compatíveis com o impacto de um projétil de mosquete na região do tórax, ferimento semelhante ao que, conforme relatos históricos, teria causado a morte do mosqueteiro.

“A localização da cova também sugere que se tratava de uma pessoa importante: o esqueleto estava onde antes ficava o altar. Naquela época, apenas realeza ou figuras de destaque eram enterradas sob o altar”, afirmou um auxiliar da igreja que acompanhou as escavações à emissora local.

A hipótese de d’Artagnan ter sido sepultado em Maastricht não é nova. Registros indicam que, devido às condições da batalha e às altas temperaturas, seu corpo nunca foi levado de volta à França, sendo enterrado na própria cidade holandesa.

A descoberta anima pesquisadores que buscam os restos do militar há décadas. O arqueólogo Wim Dijkman, que procura o túmulo de d’Artagnan há 28 anos, afirmou estar cautelosamente otimista. “Sempre sou muito cauteloso, sou cientista. Mas tenho altas expectativas”, disse à emissora L1 Nieuws.

O esqueleto foi removido para um instituto arqueológico em Deventer, no leste da Holanda. Em 13 de março, uma amostra de DNA foi coletada, principalmente a partir dos dentes, e enviada a um laboratório em Munique, onde será comparada ao material genético de um descendente da família de Batz, cuja linhagem paterna ainda existe no sul da França, perto de Avignon.