Um esqueleto encontrado em uma igreja na cidade holandesa onde morreu, há mais de três séculos, pode ser de Charles de Batz de Castelmore d’Artagnan, o soldado francês que inspirou o clássico Os Três Mosqueteiros. A informação foi divulgada pela imprensa local nesta quarta-feira (25).
A ossada foi descoberta por arqueólogos e trabalhadores durante reparos na Igreja de São Pedro e São Paulo, em Maastricht, após o colapso parcial do piso do templo em fevereiro.
O achado ocorreu no local onde antes ficava o altar, área tradicionalmente reservada a figuras de alta importância social ou política, o que, segundo especialistas, reforça a hipótese de se tratar de uma personalidade de alto status.
Símbolo da cultura francesa, d’Artagnan foi imortalizado pelo escritor Alexandre Dumas no século XIX. O mosqueteiro real serviu aos reis Luís 13 e Luís 14, sendo considerado homem de extrema confiança da coroa francesa e herói nacional.
Luís 14, o monarca europeu com o reinado mais longo da história (1643-1715), confiava-lhe missões secretas, assuntos de Estado e trabalhos de espionagem.
D’Artagnan morreu durante o cerco a Maastricht, em 1673, e seus restos mortais permanecem desaparecidos desde entãoO que indica que o esqueleto pode ser de d’Artagnan?
Entre os indícios que chamaram a atenção dos arqueólogos estão uma moeda francesa encontrada ao lado do esqueleto e marcas compatíveis com o impacto de um projétil de mosquete na região do tórax, ferimento semelhante ao que, conforme relatos históricos, teria causado a morte do mosqueteiro.
“A localização da cova também sugere que se tratava de uma pessoa importante: o esqueleto estava onde antes ficava o altar. Naquela época, apenas realeza ou figuras de destaque eram enterradas sob o altar”, afirmou um auxiliar da igreja que acompanhou as escavações à emissora local.
A hipótese de d’Artagnan ter sido sepultado em Maastricht não é nova. Registros indicam que, devido às condições da batalha e às altas temperaturas, seu corpo nunca foi levado de volta à França, sendo enterrado na própria cidade holandesa.
A descoberta anima pesquisadores que buscam os restos do militar há décadas. O arqueólogo Wim Dijkman, que procura o túmulo de d’Artagnan há 28 anos, afirmou estar cautelosamente otimista. “Sempre sou muito cauteloso, sou cientista. Mas tenho altas expectativas”, disse à emissora L1 Nieuws.
O esqueleto foi removido para um instituto arqueológico em Deventer, no leste da Holanda. Em 13 de março, uma amostra de DNA foi coletada, principalmente a partir dos dentes, e enviada a um laboratório em Munique, onde será comparada ao material genético de um descendente da família de Batz, cuja linhagem paterna ainda existe no sul da França, perto de Avignon.
