Você pagaria até R$ 600 por um litro de mel? Esse é o valor que alguns tipos do produto podem atingir no Brasil, especialmente quando são produzidos por abelhas sem ferrão, espécies nativas do país que vêm ganhando destaque no mercado e na alta gastronomia.
Considerado raro e sofisticado, esse tipo de mel chama atenção não só pelo preço, mas também pelas características únicas de sabor, textura e produção limitada.
Por que esse mel é tão caro?
A principal diferença está na forma de produção. As abelhas sem ferrão:
- formam colônias menores
- trabalham menos horas por dia
- produzem muito menos mel
Como resultado, a oferta é limitada — o que eleva o valor no mercado.
Enquanto o mel tradicional (de abelhas com ferrão) custa em média cerca de R$ 47 o litro, o mel das espécies nativas pode começar em R$ 120 e chegar a R$ 600
Em alguns casos mais raros, o preço pode ultrapassar esse valor e chegar a R$ 800 ou até mais de R$ 1.000 o litro, dependendo da espécie e da qualidade
Queridinho da alta gastronomia
O produto vem ganhando espaço em restaurantes sofisticados por apresentar características diferentes do mel comum:
- sabor mais ácido
- textura mais líquida
- aromas complexos
Esse perfil ocorre porque o mel dessas abelhas possui maior teor de água, favorecendo uma fermentação natural que cria sabores únicos, alguns lembrando madeira, frutas e até queijo.
O produto vem ganhando espaço em restaurantes sofisticados por apresentar características diferentes do mel comumUm tesouro da biodiversidade brasileira
O Brasil é um dos países mais ricos nesse tipo de produção. Estima-se que existam mais de 250 espécies de abelhas sem ferrão no país, muitas delas nativas
Entre os méis mais conhecidos estão:
- jataí
- mandaçaia
- borá
- tiúba
Diferente do mel tradicional, que é classificado pela florada (como laranjeira ou eucalipto), o mel dessas abelhas é identificado pela espécie que o produz.
Produção pequena, valor alto
Outro fator que pesa no preço é a produtividade. Algumas espécies produzem apenas 3 a 5 litros por colmeia ao ano, volume muito inferior ao das abelhas comuns
Além disso, o processo de extração é mais delicado, já que o mel é armazenado em pequenos potes naturais dentro das colmeias.
O que chega ao consumidor
Apesar da enorme diversidade, a maioria dos supermercados ainda vende mel tradicional, muitas vezes misturado (blend) e sem indicação da origem floral.
Já o mel de abelhas sem ferrão costuma ser encontrado em:
- feiras especializadas
- produtores locais
- lojas gourmet
Mercado em crescimento
A chamada meliponicultura (criação de abelhas sem ferrão) cresce no Brasil e vem se tornando uma alternativa sustentável e lucrativa.
Além do valor gastronômico, o produto também é associado a propriedades medicinais e ao papel essencial dessas abelhas na polinização de plantas nativas.
Vale o preço?
Para especialistas, o alto valor reflete não apenas a raridade, mas também:
- a preservação da biodiversidade
- o trabalho artesanal
- a qualidade diferenciada
Mesmo assim, o consumo ainda é restrito a nichos — e o mel de até R$ 600 segue sendo um produto para poucos.
