Um gigantesco complexo mineral com reservas de cobre, ouro e prata foi identificado na Cordilheira dos Andes, na fronteira entre Argentina e Chile. Conhecido como Projeto Vicuña, o empreendimento reúne os depósitos Filo del Sol e Josemaría, sendo considerado por especialistas um dos maiores distritos minerais descobertos nas últimas décadas.
Do mesmo modo, a iniciativa é conduzida por uma joint venture formada pela mineradora canadense Lundin Mining e pela multinacional australiana BHP. As duas empresas anunciaram estimativas iniciais de recursos minerais que colocam o projeto entre os maiores depósitos globais de cobre, além de incluir grandes quantidades de ouro e prata.
Segundo dados divulgados pelas companhias, os depósitos combinados possuem cerca de 13 milhões de toneladas de cobre em recursos medidos e indicados, além de 25 milhões de toneladas em recursos inferidos. No caso do ouro, são estimadas 32 milhões de onças em recursos medidos e indicados e outras 49 milhões de onças inferidas, enquanto a prata pode chegar a 659 milhões de onças confirmadas e 808 milhões inferidas.
De acordo com as empresas responsáveis, trata-se da maior descoberta “greenfield” de cobre dos últimos 30 anos, expressão usada no setor para descrever novos depósitos identificados em áreas ainda não exploradas industrialmente.
Os depósitos Filo del Sol e Josemaría, separados por cerca de 10 quilômetros, formam o núcleo do Projeto Vicuña e podem ser integrados em um único complexo de mineração. Imagem ilustrativa/GeminiComplexo mineral na fronteira entre dois países
O distrito mineral Vicuña está localizado entre a província de San Juan, na Argentina, e a região de Atacama, no Chile. Os depósitos Filo del Sol e Josemaría ficam relativamente próximos – a cerca de 10 a 11 quilômetros de distância – o que permite que as empresas planejem um único complexo integrado de mineração com infraestrutura compartilhada.
Essa proximidade entre as jazidas deve permitir economias de escala e reduzir custos logísticos, tornando o projeto mais viável economicamente ao longo das próximas décadas.
Investimento bilionário e produção prevista para a próxima década
Estudos preliminares indicam que o desenvolvimento do complexo pode exigir investimentos totais próximos de US$ 18 bilhões (aproximadamente R$ 90 bilhões, dependendo da cotação). A primeira fase do projeto pode começar entre 2027 e 2030, com início de produção estimado por volta de 2030.
A exploração mineral pode durar várias décadas, dada a escala das reservas identificadas. Ainda em 2026, um relatório técnico integrado deverá apresentar estimativas mais detalhadas sobre a viabilidade econômica do projeto e o cronograma de desenvolvimento do complexo.
Desenvolvido por uma parceria entre Lundin Mining e BHP, o projeto prevê investimentos bilionários e produção de cobre, ouro e prata a partir da próxima década na região andina. Imagem ilustrativa/GeminiPor que a região é estratégica?
A Cordilheira dos Andes abriga algumas das maiores reservas minerais do planeta, especialmente de cobre, um metal essencial para a produção de cabos elétricos, baterias e tecnologias associadas à transição energética.
Portanto, descobertas desse porte costumam atrair grande atenção internacional, tanto de empresas quanto de governos, interessados no fornecimento de minerais considerados estratégicos para a indústria e a tecnologia.
*O texto contém informações dos portais MIX Conteúdos Digitais, Mining.com, UOL Economia e MHC
