O governo dos Estados Unidos estuda a possibilidade de realizar uma operação militar terrestre para invadir e ocupar a ilha iraniana de Kharg, com o objetivo de pressionar a República Islâmica a reabrir o Estreito de Hormuz. A informação foi divulgada pelo site americano Axios.
Segundo a publicação, o presidente Donald Trump pode autorizar o envio de até 2.500 fuzileiros navais para tomar o território, considerado estratégico por concentrar cerca de 90% das exportações de petróleo do Irã. Embora os EUA já tenham realizado ataques aéreos contra alvos militares na ilha, uma invasão terrestre representaria uma escalada significativa no conflito entre as duas nações.
Fontes ouvidas pelo Axios afirmam que ainda não há uma decisão final sobre a operação e que autoridades americanas reconhecem os altos riscos envolvidos, tanto do ponto de vista militar quanto econômico.
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Estreito de Hormuz
A ação planejada pelos Estados Unidos tem como pano de fundo o fechamento do Estreito de Hormuz, que permanece bloqueado desde o início de março. Pelo local, passa cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo, e a interrupção do fluxo provocou uma disparada nos preços dos combustíveis em escala global.
O novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, defende a manutenção do bloqueio enquanto não cessarem os ataques dos EUA e de Israel ao território iraniano. A posição endurecida tem dificultado negociações para a reabertura da rota marítima.
Kharg, a “joia da coroa” do Irã
A ilha de Kharg, localizada no Golfo Pérsico a cerca de 25 km da costa iraniana, é um dos ativos mais valiosos do país. Com aproximadamente 20 km², abriga o maior terminal de exportação de petróleo bruto do Irã e é conectada por oleodutos a importantes campos petrolíferos, como Aboozar, Forouzan e Dorood.
Durante as décadas de 1960 e 1970, a ilha passou por um rápido desenvolvimento impulsionado pelo boom do petróleo, graças às suas águas profundas, uma característica rara no litoral iraniano, que em grande parte é raso demais para receber superpetroleiros.
O presidente Donald Trump já classificou o local como “a joia da coroa do Irã”, evidenciando sua importância geopolítica e econômica.
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Pressão internacional
Diante da paralisia no estreito, os Estados Unidos têm buscado apoio internacional para pressionar o Irã. A Casa Branca solicitou ajuda da Europa e da China, mas a China ainda não respondeu ao pedido.
Já os países europeus, inicialmente relutantes em se envolver, começaram a sinalizar apoio ao governo americano diante da alta do preço do petróleo e dos impactos econômicos globais.
Enquanto isso, a possibilidade de uma invasão terrestre segue em análise. Analistas alertam que uma ocupação de Kharg representaria um ponto de inflexão no conflito, com potencial para ampliar a instabilidade em toda a região do Golfo Pérsico.
