Paulistas culpam governo e concessionárias por ‘excesso de pedágios’, diz Datafolha

Um novo levantamento aponta a gestão estadual e empresas como os principais responsáveis pelas cobranças nas rodovias

Cobrança automática não pode ser considerada pedágio, mas sim um serviço alternativo de mobilidade

Cobrança automática não pode ser considerada pedágio, mas sim um serviço alternativo de mobilidade | Divulgação

Uma pesquisa do Datafolha, divulgada na segunda-feira (16), sugere que os moradores de São Paulo atribuem ao governo estadual e às concessionárias a responsabilidade pela quantidade de pedágios nas rodovias. Segundo o levantamento, 33% dos entrevistados apontam a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), enquanto 30% responsabilizam as empresas que administram as estradas.

Os dois grupos aparecem tecnicamente empatados dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. O governo federal foi citado por 26% dos entrevistados, também próximo das concessionárias, enquanto as prefeituras foram mencionadas por apenas 2%.

Público alvo

A pesquisa foi realizada entre os dias 3 e 5 de março, com 1.608 entrevistas presenciais em 71 municípios paulistas. O nível de confiança no levantamento é de 95%.

A responsabilização do governo estadual é mais frequente entre entrevistados com ensino superior (44%) e entre os de maior renda, 49% entre quem ganha de cinco a dez salários mínimos e 48% acima disso. O índice também cresce entre eleitores que avaliam a gestão estadual como ruim ou péssima (52%) e entre quem votou em Luiz Inácio Lula da Silva em 2022 (42%).

Entre recortes de gênero, homens tendem a culpar mais o governo estadual (40%), enquanto mulheres apontam com maior frequência as concessionárias (34%). Já entre eleitores do próprio Tarcísio, 31% atribuem a responsabilidade às empresas.

Posição do governo

Procurado pela Folha de S. Paulo, o governo paulista afirmou, em nota, que os projetos de concessão seguem “diretrizes claras de justiça tarifária” e que houve redução média de cerca de 20% no valor por quilômetro em comparação a modelos anteriores. A gestão também destacou ampliação de investimentos em infraestrutura, segurança viária e serviços aos usuários.

A expansão do modelo de pedágio eletrônico, conhecido como “free flow”, está entre os principais pontos de mudança. O sistema substitui praças físicas por pórticos com leitura de placas e cobrança proporcional ao trecho percorrido, conforme regras federais.

Regulamentado em 2024, o modelo começou a operar no estado em setembro do ano passado e já está presente em rodovias como a SP-333, a SP-326, a SP-088, a SP-055 e a SP-270, além do trecho entre Caraguatatuba e São Sebastião.

A previsão do governo é instalar 58 pórticos até 2030. No entanto, a expansão tem gerado resistência, especialmente na Baixada Santista, onde há registros de protestos e ações judiciais contra a implantação do sistema, como no caso da rodovia Mogi-Dutra.