De ‘Sibéria Maranhense’ à potência: como Imperatriz se tornou o coração econômico do Sul do Maranhão

A cidade, às margens do Rio Tocantins, cresceu após a abertura da rodovia Belém-Brasília; atualmente, reúne mais de 270 mil habitantes, com destaque regional em comércio, logística, educação e saúde

Conhecida antigamente como 'Sibéria Maranhense', considerando sua dificuldade de acesso, atualmente, Imperatriz (MA) se consolidou como uma potência regional

Conhecida antigamente como 'Sibéria Maranhense', considerando sua dificuldade de acesso, atualmente, Imperatriz (MA) se consolidou como uma potência regional | Wikimedia Commons/Hernandezjean80

Mais conhecida como “Portal da Amazônia”, a cidade de Imperatriz, no sul do Maranhão, consolidou-se nas últimas décadas como o segundo maior centro econômico e populacional do estado.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município apresenta cerca de 273 mil habitantes, transformando-se em um importante polo regional de comércio, serviços e logística ao longo dos anos. Do mesmo modo, Imperatriz atende municípios do sul maranhense e áreas do norte do Tocantins e leste do Pará.

Apesar da importância explicada sobre a cidade, a realidade local era diferente até meados do século XX. Naquela época, o município era considerado geograficamente isolado; por isso, foi apelidado de “Sibéria Maranhense”, referente às dificuldades de acesso e às grandes distâncias em relação aos principais centros do estado.

A mudança de cenário começou com a construção da Rodovia Belém-Brasília (BR-010). Concluída em 1974, a obra é considerada um marco da integração territorial do Norte e Nordeste ao restante do país. Com a finalização do projeto, a rodovia foi responsável por conectar a região a importantes mercados, estimulando a chegada de migrantes e investimentos.

Origem e desenvolvimento

A origem da cidade remonta a 16 de julho de 1852, quando o religioso Frei Manoel Procópio do Coração de Maria liderou uma expedição que fundou a Colônia Militar de Santa Tereza do Tocantins, às margens do Rio Tocantins. Quatro anos depois, o local foi atribuído à condição de vila, tendo o nome de Vila Nova de Imperatriz, em homenagem à imperatriz Teresa Cristina, esposa de Dom Pedro II.

Ao longo do século XX, o município passou por diferentes ciclos econômicos. A produção de arroz impulsionou a economia entre as décadas de 1950 e 1980. Já nos anos 1970, a exploração de madeira se tornou uma das principais atividades. A descoberta de ouro em áreas próximas atraiu novos fluxos migratórios, na década de 80.

Nos dias atuais, Imperatriz funciona como um entroncamento logístico regional; ou seja, a cidade conecta a produção agrícola de municípios como Balsas – conhecida pela produção de soja – ao parque industrial de Açailândia, além do setor de celulose da Suzano. Sua infraestrutura logística abrange trechos da Ferrovia Norte-Sul e da Estrada de Ferro Carajás, bem como rodovias federais que cruzam a região.

Educação, saúde e comércio

O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) é de 0,731, considerado alto. Portanto, Imperatriz aparece entre os melhores indicadores do estado, segundo dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) com base em estatísticas do IBGE.

A cidade nordestina também concentra hospitais, clínicas e instituições de ensino superior que atendem moradores de diversos municípios da região. Dentre os principais estabelecimentos locais está o campus da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), atraindo inúmeros estudantes.

O comércio local se destaca especialmente no Complexo Atacadista do Mercadinho e no Calçadão do centro da cidade, abastecendo mercados em um raio de centenas de quilômetros.

Turismo natural

Quanto ao lazer urbano, a área destacada é a Avenida Beira-Rio. Localizada às margens do Rio Tocantins, moradores e visitantes podem frequentar quiosques, restaurantes e espaços de caminhada.

Durante o período de estiagem – quando o nível do rio diminui -, surgem praias de areia que se tornam pontos turísticos sazonais. As mais conhecidas englobam a Praia do Cacau e a Praia do Meio, frequentadas principalmente durante o veraneio regional.

O Parque Nacional da Chapada das Mesas é outro destino muito procurado por vistantes. No entanto, não é localizado dentro do território municipal; fica a cerca de 200 quilômetros de Imperatriz, sendo uma área que fascina turistas por sua riqueza em espécies de animais e plantas. 

Gastronomia regional

Misturando elementos nordestinos e amazônicos, a culinária local apresenta pratos tradicionais como peixes de água doce do Tocantins – tucunaré e tambaqui -, bem como arroz de cuxá, uma receita típica maranhense. 

Outro prato popular é a panelada, preparada com vísceras bovinas e consumida principalmente em feiras e barracas populares, inclusive nas primeiras horas da manhã.

Clima e localização estratégica

O clima da região é tropical, com temperaturas médias próximas de 27 °C ao longo do ano e duas estações bem definidas: período chuvoso entre dezembro e abril e estação seca entre maio e novembro.

Localizada a cerca de 630 quilômetros da capital São Luís, Imperatriz possui acesso rodoviário pelas BR-010, BR-226 e BR-222. O transporte aéreo pode ser realizado pelo Aeroporto de Imperatriz Renato Moreira, que opera voos regulares para diferentes capitais brasileiras.

‘Terra dos famosos’

Além do desenvolvimento econômico e beleza natural, Imperatriz também se destaca por ser o lar de brasileiros famosos, incluindo a skatista Rayssa Leal, conhecida como ‘Fadinha’, além do cantor Léo Nascimento, o hipista Marlon Zanotelli e o músico Zeca Tocantins.

*O texto contém informações dos portais C.B. Radar, Prefeitura de Imperatriz, Impeatriz Notícias, IBGE, PNUD e ICMBio