Cremação sem fogo? Conheça a ‘aquamação’, técnica sustentável que acaba de ser legalizada

Método utiliza água, pressão e compostos químicos para decompor o corpo com impacto ambiental menor

Um dos principais argumentos a favor da aquamação é o impacto ambiental reduzido

Um dos principais argumentos a favor da aquamação é o impacto ambiental reduzido | Freepik

A cremação é hoje uma das alternativas mais escolhidas por famílias após a morte de um ente querido. No processo tradicional, o corpo é incinerado em altas temperaturas e as cinzas podem ser guardadas em urnas ou transformadas em objetos simbólicos.

Nos últimos anos, porém, uma técnica considerada mais sustentável tem ganhado espaço em alguns países. Trata-se da aquamação, também chamada de hidrólise alcalina, um método que produz resultado semelhante ao da cremação, mas sem utilizar fogo.

A prática foi recentemente legalizada na Escócia, tornando o país o primeiro do Reino Unido a autorizar oficialmente esse tipo de procedimento funerário.

Como funciona a aquamação

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O processo pode ser descrito como uma espécie de cremação com água.

O corpo é colocado dentro de um cilindro metálico pressurizado, onde é submetido a uma mistura de água e solução alcalina, geralmente composta por hidróxido de potássio.

Dentro do equipamento, o sistema é aquecido a temperaturas que variam entre 90 °C e 150 °C. Mesmo com o calor, o líquido não entra em ebulição devido à pressurização do recipiente.

Ao longo de cerca de quatro horas, os tecidos e compostos orgânicos do corpo se decompõem gradualmente. O processo reproduz quimicamente o mesmo fenômeno que ocorre na decomposição natural após o sepultamento, porém de forma acelerada e controlada.

Ao final, restam apenas os ossos, que são secos e triturados em uma máquina chamada cremulador, transformando-se em um pó fino semelhante às cinzas da cremação tradicional, geralmente de coloração branca.

O que acontece com o líquido do processo

Durante a aquamação, os tecidos do corpo se dissolvem no líquido presente no equipamento.

Esse fluido contém compostos orgânicos dissolvidos e, após o processo, pode passar por tratamento antes de retornar ao sistema de água. Em algumas situações, ele também pode ser utilizado como fertilizante, sem causar contaminação ambiental.

Menor impacto ambiental

Um dos principais argumentos a favor da aquamação é o impacto ambiental reduzido.

Na cremação tradicional, o corpo precisa ser incinerado em temperaturas muito elevadas durante duas a cinco horas, processo que consome grande quantidade de energia e libera dióxido de carbono e outros poluentes atmosféricos.

Já a aquamação utiliza cerca de um sétimo da energia necessária para uma cremação convencional e pode reduzir a pegada de carbono em até 75%.

Equipamentos médicos não precisam ser retirados

Outra diferença curiosa do método está relacionada a dispositivos implantados no corpo.

Na cremação tradicional, é necessário retirar marcapassos, próteses ou implantes, pois esses equipamentos podem explodir durante a combustão.

Na aquamação, como não há fogo, não existe esse risco. Os dispositivos permanecem intactos e podem ser removidos após o término do procedimento.

Método já é utilizado em outros países

Embora a legalização na Escócia seja recente, a aquamação já é adotada em alguns países, como Estados Unidos, Canadá e África do Sul.

O método ganhou notoriedade internacional quando foi utilizado no funeral do arcebispo Desmond Tutu, vencedor do Prêmio Nobel da Paz, conhecido por sua atuação contra o apartheid na África do Sul.

Com a crescente preocupação com sustentabilidade e impacto ambiental, especialistas apontam que a aquamação pode se tornar uma alternativa cada vez mais considerada em serviços funerários ao redor do mundo.