Pássaro do ‘mau presságio’? Conheça a ave que tenta sobreviver em meio ao lixo no litoral de SP

A ave foi flagrada pescando empoleirada em um carrinho de bebê descartado irregularmente ou arrastado até o canal por enchentes

O socó-dorminhoco não pode ingerir lixo, o que pode ser fatal

O socó-dorminhoco não pode ingerir lixo, o que pode ser fatal | Jonatas Oliveira/DL

Você sabia que uma grande quantidade de resíduos acaba dentro dos canais de Santos? Nesses locais, é possível encontrar desde sacolas plásticas e materiais descartáveis em geral até objetos de grande porte, como carrinhos de bebê, além de peixes exóticos, como tilápias invasoras.

Em meio a esse cenário, um jovem socó-dorminhoco (Nycticorax nycticorax) tenta se adaptar à realidade imposta pela ação humana. A ave foi flagrada pescando empoleirada em um carrinho de bebê descartado irregularmente ou arrastado até o canal por enchentes. A cena chama a atenção e simboliza, ao mesmo tempo, a resistência da natureza e os impactos do descarte inadequado de lixo urbano.

Essa espécie, que pode ser encontrada nas bordas de lagos, lagoas e rios em grande parte do Brasil -além de ocorrer do Canadá à Terra do Fogo e também no chamado Velho Mundo – se alimenta de anfíbios, crustáceos, insetos, pequenos répteis, pequenos mamíferos e filhotes de outras aves.

No entanto, especialistas alertam: o socó-dorminhoco não pode ingerir lixo, o que pode ser fatal. Segundo o biólogo e ornitólogo Bruno Lima, a presença dessas aves nos canais da cidade é comum.

“Aqui nos canais de Santos sempre há essas aves. Elas acabam se adaptando e se alimentando de peixes. Mas, se ingerirem lixo, há uma grande chance de morrerem”, explicou.

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O método de caça mais comum da espécie é conhecido como “senta e espera”, mas o socó-dorminhoco também utiliza seus longos dedos para remexer o lodo e as pedras do fundo de rios e lagos, espantando pequenos peixes, que são capturados com precisão. Os indivíduos jovens costumam ser mais ativos durante o dia, tornando-se predominantemente noturnos à medida que amadurecem.

Em locais com grande presença de pescadores, alguns socós aprendem a capturar peixes descartados ou até mesmo a pegá-los diretamente das mãos das pessoas. Essa prática, porém, aumenta o risco de acidentes com anzóis e linhas, que podem levar à morte da ave.

Mau agouro

O socó-dorminhoco possui hábitos noturnos e crepusculares. Durante o dia, passa longos períodos dormindo ou repousando em galhos de árvores altas. Trata-se de uma ave predominantemente noturna.

Seu nome científico tem origem no grego e significa “pássaro de mau presságio” ou “corvo da noite”. A associação histórica ao mau agouro está ligada justamente aos seus hábitos noturnos e a tradução do seu nome.

O adulto é considerado uma ave de grande beleza, com o topo da cabeça e o dorso negros, asas acinzentadas, olhos grandes e avermelhados e duas ou três penas brancas na região da nuca. Já o indivíduo jovem apresenta coloração marrom-clara, com manchas mais escuras.

Em Peruíbe, a espécie pode ser observada com frequência na região do Portinho, em diferentes horários do dia. Já em Mongaguá, é comum avistá-la no centro da cidade, às margens do rio.