Guerra no Golfo: Por que o Irã atacou os Emirados Árabes, a Arábia Saudita e outros países da região

Com mais de 200 drones e mísseis, Teerã mira instalações da Marinha americana e infraestrutura civil em Dubai

Os ataques tiveram como foco estruturas militares utilizadas pelos Estados Unidos no Oriente Médio

Os ataques tiveram como foco estruturas militares utilizadas pelos Estados Unidos no Oriente Médio | Reprodução/Redes Sociais

O Irã lançou uma ampla ofensiva com mísseis e drones contra alvos em Israel e também em diversos países do Golfo Pérsico após ataques coordenados realizados por Estados Unidos e forças israelenses. A ação atingiu regiões dos Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Iraque, Omã, Bahrein, Kuwait, Qatar e Jordânia.

Apesar de não terem participado oficialmente das operações militares contra Teerã, essas nações abrigam bases e estruturas estratégicas americanas, o que as colocou no raio de resposta iraniana. O objetivo central foi atingir instalações ligadas aos EUA e elevar o custo regional do conflito.

Bases americanas foram alvo prioritário

Segundo autoridades iranianas, os ataques tiveram como foco estruturas militares utilizadas pelos Estados Unidos no Oriente Médio. 

Para o governo do Irã, quando essas bases são usadas em operações hostis, passam a ser consideradas alvos legítimos, mesmo estando em território de países aliados.

Grande parte dos estados do Golfo mantém acordos de segurança com Washington e hospeda tropas ou equipamentos militares americanos. Entre os alvos atingidos está uma base no Bahrein que abriga a Quinta Frota da Marinha dos EUA, considerada estratégica para a presença militar norte-americana na região.

A avaliação é que essas instalações são acessíveis ao arsenal iraniano, especialmente aos mísseis balísticos de médio alcance, o que torna a retaliação mais imediata e eficaz.

Ataques também atingiram infraestrutura civil

Nos Emirados Árabes Unidos, a cidade de Dubai sofreu impactos significativos. O segundo aeroporto mais movimentado do mundo teve danos estruturais, resultando em evacuação parcial e suspensão total de voos. 

Houve registro de feridos e incêndios em edifícios e hotéis após a queda de drones e mísseis.

O Ministério da Defesa informou que mais de duzentos drones e dezenas de mísseis balísticos foram direcionados ao país, indicando a escala da operação.

Estratégia busca pressionar toda a região

Analistas internacionais apontam que a ofensiva teve caráter estratégico mais amplo do que apenas a retaliação direta. Ao atingir múltiplos países, o Irã aumenta a instabilidade regional e pressiona aliados dos EUA a reconsiderar seu envolvimento no conflito.

A expectativa de Teerã é que os países do Golfo passem a ver a escalada como resultado de decisões de Washington e Tel Aviv, podendo optar por pressionar por desescalada para preservar a segurança e a economia locais.

Conflito começou após ataque coordenado

A ofensiva iraniana ocorreu depois que Estados Unidos e Israel realizaram ataques simultâneos contra o Irã. Autoridades americanas afirmaram que a ação tinha como objetivo proteger interesses e cidadãos dos EUA.

O Irã respondeu inicialmente contra Israel, que fechou seu espaço aéreo e decretou estado de emergência. Em seguida, ampliou a retaliação contra instalações militares americanas espalhadas pelo Oriente Médio.

Além dos países do Golfo, explosões foram registradas em cidades iranianas, enquanto o tráfego aéreo foi suspenso e serviços de comunicação sofreram interrupções.

Brics sob tensão

Tanto o Irã quanto a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos fazem parte do agrupamento internacional de grandes economias emergentes chamado Brics, ao qual o Brasil liderou no último ano – e recentemente passou a presidência para a Índia. 

Não há relatos de tensão no grupo, mas decidiram pelo cancelamento de sua primeira reunião de ministros de finanças e presidentes de bancos centrais em 2026, que aconteceria em Jaipur, cidade da Índia. O motivo alegado foi a escalada das tensões no Oriente Médio.

Esta seria uma importante reunião para o Brics, pois trataria do futuro econômico do grupo junto de membros importantes como o presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, e possivelmente a presidente do chamado Banco dos Brics – New Development Bank –, Dilma Rousseff.