Muito antes da fama de “Miami Brasileira” devido aos prédios alto padrão e das temporadas movimentadas, Praia Grande virou assunto por causa de uma baleia que nunca existiu, mas que arrastou multidões até a cidade. Pelo menos, é o que conta uma publicação do portal Novo Milênio.
A história aconteceu em meados de 1946, quando a região ainda era distrito de São Vicente e tinha pouco movimento fora do verão. O responsável pelo episódio teria sido o motorista e empreendedor Antonio Augusto de Sá Lopes, dono de uma linha de ônibus que enfrentava prejuízos constantes por falta de passageiros.
O “aparecimento” da baleia
Segundo um relato no livro “A Odisséia de um Motorista” (1961), Sá Lopes teve a ideia ousada de espalhar a notícia de que uma enorme baleia havia sido vista próxima à costa de Praia Grande. À época, a informação correu rapidamente na boca do povo.
Curiosos queriam ver o animal de perto, moradores comentavam nas ruas e, de repente, o que era uma linha quase vazia passou a sair lotada. Os ônibus faziam viagens cheias de passageiros ansiosos para testemunhar o suposto espetáculo marinho.
“Enquanto não vinha licença para uma nova linha funcionar, os ônibus para o Boqueirão de Santos estavam deficitários, havia então necessidade de se criar algo novo. Na hora, pensei em promover uma excursão a Itanhaém, mas como interessar pessoas com um tempo feio? De uma hora para outra, sem anúncio e sem reclame?”, diz um trecho do livro.
“Foi então que chamei um pequeno vendedor de jornais, e por dez cruzeiros ele foi no Café Atlântico e começou a gritar que havia uma baleia na Praia Grande. Daí a pouco, o carro estava lotado com mais de cinquenta passageiros, todos curiosos por verem o enorme cetáceo. Mas quando chegávamos ao ponto final da viagem que era o Campo de Aviação, outra desculpa era dada, e a viagem prolongava-se até Itanhaém”, completa.
@@NOTICIA_GALERIA@@
Casa cheia
Com o aumento da procura, a linha entre Santos e Praia Grande ganhou fôlego. O movimento ajudou a consolidar o transporte regular até a orla e ainda colocou a cidade no radar de quem buscava lazer à beira-mar.
Naquele período, um dos principais atrativos era apenas a pesca artesanal no Boqueirão. Barcos chegando carregados, redes sendo puxadas e peixes expostos na areia formavam um cenário que encantava visitantes, mesmo sem baleia alguma.
Turismo antes do turismo
Sem campanhas oficiais ou estrutura organizada, o crescimento aconteceu de forma espontânea. A paisagem fazia todo o resto, com faixa de areia extensa, mar aberto e a Serra do Mar ao fundo.
A região, que tem registros históricos desde o século XVI sob o nome indígena “Peabuçu”, começou a se transformar nas décadas seguintes, com loteamentos como Jardim Guilhermina, Vila Mirim e Cidade Ocian impulsionando a ocupação urbana.
O episódio da baleia virou parte do folclore local, um exemplo de criatividade que, mesmo baseado em um boato, ajudou a impulsionar o desenvolvimento turístico da cidade.
