Planta considerada extinta desde 1920 é redescoberta em ilha isolada no litoral de São Paulo

A espécie Begonia larorum, que não era vista pela ciência desde 1920, sobreviveu isolada na Ilha de Alcatrazes e agora é esperança para estudos sobre adaptação climática

Pesquisadores da Unicamp e do Jardim Botânico do Rio de Janeiro localizaram 19 exemplares da planta rara em uma encosta de difícil acesso no litoral paulista

Pesquisadores da Unicamp e do Jardim Botânico do Rio de Janeiro localizaram 19 exemplares da planta rara em uma encosta de difícil acesso no litoral paulista | Wikimedia Commons/Zejulio

Pesquisadores da Unicamp e do Jardim Botânico do Rio de Janeiro fizeram uma descoberta histórica no litoral de São Paulo. Eles reencontraram a Begonia larorum, planta considerada extinta há mais de cem anos pela ciência.

A espécie rara foi localizada na Ilha de Alcatrazes, sobrevivendo em uma encosta de difícil acesso. O registro anterior datava de 1920, o que torna o achado um verdadeiro marco para a preservação da biodiversidade nacional.

O estudo detalhando a redescoberta saiu na revista científica Oryx. Além de descrever a planta, os autores sugerem que ela entre na Lista Vermelha da IUCN como uma espécie que está hoje em perigo crítico de extinção mundial.

O segredo da sobrevivência na ilha

A Ilha de Alcatrazes serviu por décadas como campo de tiro da Marinha. Esse uso intenso causou incêndios e favoreceu a chegada de espécies invasoras. No entanto, a pequena Begônia resistiu bravamente em um local muito isolado.

A localização geográfica foi fundamental para a sua preservação. Ela encontrou refúgio em uma encosta no lado sul da ilha. Por causa do acesso muito restrito, a vegetação nativa conseguiu manter esse esconderijo perfeito no litoral.

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Além disso, o isolamento protegeu a planta de interferências humanas diretas. A Begonia larorum é endêmica desse local, o que significa que ela não existe em nenhum outro lugar do planeta, tornando sua proteção ambiental ainda mais urgente.

A emoção da descoberta científica

Durante uma expedição em fevereiro de 2024, Gabriel Sabino avistou o primeiro exemplar. O pesquisador conhecia as descrições históricas e estava atento. “Quando a encontrei, fiquei sem acreditar”, relatou o botânico emocionado.

Posteriormente, a equipe localizou um grupo com 19 plantas na região. Dessas, a maioria estava em fase reprodutiva, o que indica recuperação. “Foi uma festa, porque aí fizemos amostras para a coleção”, celebrou Sabino na nota.

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Os cientistas coletaram amostras para reprodução controlada em laboratório. Eles criaram clones da planta para garantir que a espécie não sumisse de novo. Esse trabalho é vital para proteger o futuro de nossa rica biodiversidade.

Um laboratório vivo para o futuro

Além de resgatar a espécie, o estudo abre portas para entender o clima. O professor Fábio Pinheiro explica que a ilha funciona como um laboratório. Ali, as plantas mostram como a vida pode se adaptar ao aquecimento global.

Segundo Pinheiro, “A ilha é como um laboratório de como será o planeta no futuro”. Esse isolamento permite estudar interações biológicas raras. Assim, o conhecimento gerado ajuda a criar novas estratégias de mitigação ambiental.

A descoberta vai além do registro de uma planta rara. Ela oferece pistas sobre a resiliência da natureza diante de mudanças extremas. Entender essa sobrevivência é um passo crucial para a conservação de outros biomas.