A maior tragédia climática do litoral de SP ainda impressiona quase 60 anos depois

Em dois dias choveu o equivalente a seis meses e milhares morreram em desastre que mudou a prevenção no estado paulista

Em março de 1967, Caraguatatuba foi devastada por uma das maiores tragédias naturais da história do Brasil

Em março de 1967, Caraguatatuba foi devastada por uma das maiores tragédias naturais da história do Brasil | Reprodução

Em março de 1967, a cidade de Caraguatatuba, localizada no Litoral Norte paulista, foi devastada por uma das maiores tragédias naturais da história do Brasil. Em apenas dois dias, o volume de chuva chegou a 580 milímetros, o equivalente a cerca de seis meses de precipitação, provocando deslizamentos de encostas, alagamentos e a destruição de grande parte da cidade.

A chamada “tromba d’água” atingiu o município nos dias 17 e 18 de março, deixando milhares de mortos e cerca de 3 mil pessoas desabrigadas, o que representava aproximadamente 20% da população local na época. A cidade ficou isolada, sem acesso às regiões vizinhas, além de permanecer dias sem energia elétrica e abastecimento de água.

A dimensão do desastre foi considerada inédita no país até então. O especialista em mecânica dos solos Artur Casagrande classificou o episódio como a maior tragédia natural registrada no Brasil naquele período.

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O rastro de destruição evidenciou a necessidade de políticas públicas voltadas à prevenção e resposta a desastres. Anos depois, em 1976, foi criada a Defesa Civil do Estado de São Paulo, também impulsionada por outras ocorrências graves, como os incêndios nos edifícios Edifício Andraus, em 1972, e Edifício Joelma, em 1974.

Quase seis décadas depois, a tragédia de 1967 segue como marco histórico e alerta permanente sobre os impactos extremos das chuvas e a importância da prevenção.