Se o Carnaval é a “Ópera do Povo”, Milton Cunha é o seu mestre de cerimônias oficial. Com um vocabulário que mistura a alta erudição acadêmica com as gírias do fervo, o Pós-Doutor em Narrativas de Carnaval criou um dialeto próprio que já faz parte do patrimônio cultural da folia.
Mas você sabe o que ele realmente quer dizer quando grita “Faraônico” ou “Deslumbre”? Entenda os termos que dão o tom da festa em 2026.
1. Faraônico: O ápice do poder
Quando Milton solta um “Faraônico!”, ele não está apenas falando de tamanho. O termo remete à grandiosidade dos monumentos do Egito Antigo. É usado para alegorias que exalam poder, escala monumental e um luxo que parece não ter fim. Se é faraônico, é para intimidar a concorrência.
2. Deslumbre: O choque estético
O “Deslumbre!” é o estágio mais alto da admiração de Milton. É quando a estética de uma ala ou fantasia é tão impactante que “cega” o espectador pela beleza. Não é apenas bonito; é uma imagem que você levará na retina por muito tempo após o desfile.
3. “Pobreza é falta de espírito!”
Talvez sua frase mais emblemática. Milton defende que o Carnaval não depende apenas de orçamentos milionários. Para ele, o “espírito” é a criatividade: uma escola pode usar materiais baratos, mas se tiver inteligência e “axé” na composição, será rica aos olhos de quem vê.
4. Caras, Bocas e Carões
Ao descrever as musas e mestre-salas, Milton foca na interpretação. O “carão” é a expressividade, o orgulho e a entrega do componente. É a capacidade de “vender” a fantasia com o rosto e com a alma, transformando o desfile em um verdadeiro ato teatral.
5. Babado, Confusão e Gritaria
Apesar de parecer apenas uma gíria popular, no “Miltonês”, isso descreve a ebulição da Avenida. É quando uma escola entra com tanta energia que o público perde o controle, as arquibancadas tremem e o impacto visual causa um frenesi coletivo.
A autoridade por trás do brilho
Não se engane pelo deboche e pelas plumas. Milton Cunha é Pós-Doutor pela UFRJ e suas expressões são fruto de décadas de estudo sobre semiótica e artes plásticas. Quando ele diz que algo é “babado”, ele está analisando a performance social; quando diz que é “faraônico”, está avaliando a composição de massa e volume.
“O Carnaval é a consagração do agora. É a vida em estado de delírio estético”, resume o mestre.
