Quase humanos? Corvos superam primatas em teste de lógica sem nenhum treino

Pesquisa publicada na Science indica que a habilidade surpreendente é inata e não depende de treinamento prévio do animal

Resultado eleva o nível de sofisticação cognitiva atribuído às aves

Resultado eleva o nível de sofisticação cognitiva atribuído às aves | (Foto: Freepik)

Um estudo publicado na revista Science mostrou que corvos conseguem diferenciar formas geométricas irregulares sem qualquer ajuda ou treino prévio.

Até pouco tempo, essa capacidade era considerada algo essencialmente humano.

A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade de Tübingen, na Alemanha, muda esse cenário e coloca as aves em um novo patamar quando o assunto é percepção visual e cognição.

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Como foi o experimento

O trabalho foi liderado pelo neurobiólogo Andreas Nieder e teve como foco os corvos-carniceiros. No teste, as aves ficavam diante de uma tela com seis formas geométricas.

Cinco eram semelhantes entre si, enquanto uma era a “intrusa”: levemente torcida, assimétrica ou com contornos diferentes.

A tarefa dos corvos era identificar essa forma diferente. Mesmo sem treinamento, eles conseguiram fazer isso com desempenho acima do esperado pelo acaso.

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O que os resultados mostram

Os cientistas observaram três pontos principais:

  • Reconhecimento espontâneo: os corvos entenderam a ideia de “intruso” sem precisar aprender antes.
  • Desempenho acima do acaso: os acertos não foram aleatórios.
  • Habilidade inata: a capacidade parece fazer parte do repertório natural da espécie.

Isso indica que as aves conseguem aplicar um conceito abstrato de diferença visual, baseado em propriedades como ângulos, simetria e proporções.

Comparação com os primatas

Um dos dados que mais chamou atenção foi a comparação com babuínos.

Apesar de serem geneticamente mais próximos dos humanos, esses primatas não tiveram o mesmo desempenho, mesmo após longos períodos de treinamento.

Os corvos, por outro lado, mostraram mais facilidade para identificar formas com ângulos retos ou simetria e só tiveram mais dificuldade em figuras muito complexas, como alguns tipos de quadriláteros.

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Para que isso serve na natureza?

Os pesquisadores acreditam que essa intuição geométrica pode ter raízes evolutivas profundas e estar ligada a funções práticas, como:

  • Orientação espacial, para se deslocar e reconhecer ambientes;
  • Reconhecimento de outros indivíduos, importante para a vida em grupo e para a sobrevivência.

Mesmo com um cérebro estruturalmente diferente do dos mamíferos, os corvos mostram que a inteligência pode surgir por caminhos evolutivos distintos.

O estudo reforça a ideia de que certas intuições visuais e geométricas não são exclusivas dos humanos, mas fazem parte de um conjunto de ferramentas biológicas compartilhadas com outras espécies.