‘Não quero morrer rico’: Magnata da tecnologia anuncia doação de 99% de toda sua fortuna

Empresário bilionário ainda criticou os cortes em ajuda humanitária e o papel de Elon Musk em órgão do governo americano

Para o empresário, acelerar a distribuição de sua fortuna é uma necessidade ética

Para o empresário, acelerar a distribuição de sua fortuna é uma necessidade ética | Freepik

O fundador da Microsoft, Bill Gates, reafirmou seu compromisso de abrir mão de quase toda a sua riqueza pessoal em prol de causas humanitárias. O empresário pretende doar 99% de seu patrimônio, estimado em 108 bilhões de dólares, ao longo das próximas duas décadas. 

Os recursos serão destinados à Gates Foundation, organização que ele planeja encerrar definitivamente em 2045, após investir um total projetado de 1,1 trilhão de reais em ações globais.

Gates classificou o cenário atual como trágico, referindo-se à redução da ajuda internacional por parte de governos de países ricos. Ele defende que investimentos contínuos são a única forma de não reverter progressos históricos na saúde. 

O bilionário declarou que seu sonho é que, quando as pessoas lerem a palavra malária no futuro, elas se perguntem o que era isso, tamanha a vontade de erradicar a doença, além da poliomielite, sarampo e AIDS.

Críticas ao governo americano e embate com Elon Musk

O anúncio de Gates veio acompanhado de críticas contundentes à gestão de recursos públicos nos Estados Unidos. Em entrevista ao Financial Times, o empresário questionou cortes em programas de ajuda e mencionou diretamente Elon Musk, que lidera um órgão voltado à redução de custos governamentais. 

Gates afirmou que a imagem do homem mais rico do mundo matando as crianças mais pobres do mundo não é bonita, embora tenha ponderado que a palavra final sobre o orçamento cabe ao Congresso norte-americano.

A influência da Gates Foundation é imensa: a entidade já destinou 100 bilhões de dólares a projetos globais, como a aliança de vacinas Gavi. 

Até 2026, o orçamento anual da fundação deve atingir 9 bilhões de dólares, consolidando-a como uma das instituições privadas mais poderosas da saúde global, apesar das críticas sobre a falta de mecanismos de prestação de contas em órgãos como a OMS.

Legado e decisão moral

Para o empresário, que deixou o comando da Microsoft em 2008 para focar na filantropia, acelerar a distribuição de sua fortuna é uma necessidade ética. 

Ele escreveu em seu site que as pessoas dirão muitas coisas sobre ele quando morrer, mas que está determinado a que ele morreu rico não seja uma delas.

Gates reforçou que existem problemas urgentes demais no mundo para manter recursos parados que poderiam ser usados para ajudar outras pessoas.

A trajetória do jovem que abandonou Harvard aos 19 anos para revolucionar a computação pessoal agora caminha para um desfecho focado integralmente na tentativa de resolver crises de sobrevivência nas regiões mais pobres do planeta.