Alerta de verão: crianças com autismo têm risco 160 vezes maior de morte por afogamento

O dado reforça um alerta importante sobre a vulnerabilidade desse público em ambientes aquáticos

Crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) têm 160 vezes mais risco

Crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) têm 160 vezes mais risco | Marcelo Camargo/Agência Brasil

Um levantamento da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, aponta que crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) têm 160 vezes mais risco de morrer por afogamento do que crianças típicas.

O dado reforça um alerta importante sobre a vulnerabilidade desse público em ambientes aquáticos. Segundo especialistas, os acidentes estão associados principalmente à dificuldade em reconhecer situações de perigo, limitações na comunicação e à forte atração que muitas crianças com TEA sentem pela água, pelo brilho e pelo movimento.

De acordo com a especialista em Psicomotricidade Aquática, Amanda Godoy, muitas dessas crianças não identificam riscos em locais como piscinas, praias e rios e podem se aproximar da água sem perceber o perigo. Em situações de emergência, também podem ter dificuldade para pedir ajuda ou reagir de forma organizada, o que aumenta significativamente o risco de afogamento.

Nesse contexto, a psicomotricidade aquática se destaca como uma ferramenta terapêutica essencial. A abordagem trabalha de forma integrada aspectos motores, sensoriais, emocionais e de segurança. No ambiente aquático, a criança desenvolve consciência corporal, equilíbrio, coordenação motora e controle postural, além de melhorar a organização sensorial e a autorregulação emocional.

A água, por oferecer estímulos profundos, contribui para a redução da ansiedade, melhora da atenção e fortalecimento do vínculo terapêutico.

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Além do desenvolvimento global, a psicomotricidade aquática tem papel direto na prevenção de afogamentos. A prática ensina a criança a reconhecer o ambiente aquático, respeitar limites, flutuar, mudar de posição e desenvolver estratégias básicas de sobrevivência na água, sempre de forma individualizada e segura.

Amanda Godoy explica ainda que a principal diferença entre a psicomotricidade aquática e a natação está no objetivo. Enquanto a natação foca no ensino técnico dos estilos de nado e no desempenho esportivo, a psicomotricidade aquática utiliza a água como recurso terapêutico, respeitando as necessidades e particularidades de cada criança com TEA, promovendo segurança, autonomia e qualidade de vida.