Mares do Sul: a história do pré-Carnaval que parava o Brasil no Ilha Porchat

O evento festivo em São Vicente teve seu ápice na década de 1980 com participação do Bolinha e transmissão da Band

Pelé e Adalgisa Colombo participaram do Mares do Sul, um baile pré-carnavalesco de sucesso nos anos 80

Pelé e Adalgisa Colombo participaram do Mares do Sul, um baile pré-carnavalesco de sucesso nos anos 80 | Reprodução/Redes Sociais

A Ilha Porchat, em São Vicente (SP), consolidou-se na década de 1980 como um dos principais palcos do entretenimento nacional, sob a gestão do advogado e empresário Odárcio Ducci (1942-2016). À época, local sediava o tradicional baile “Uma Noite nos Mares do Sul”, evento que se tornou referência no calendário pré-carnavalesco do país devido à sua magnitude e à cobertura televisiva.

A Rede Bandeirantes foi uma das responsáveis por levar o glamour dos salões vicentinos para todo o Brasil. As transmissões eram capitaneadas pelo apresentador Edson “Bolinha” Cury (1936-1998), que, com seu estilo irreverente, entrevistava a alta sociedade e personalidades do porte de Pelé, Xuxa, Roberto Carlos e figuras políticas como Mário Covas.

Outra emissora que registrou a grandiosa festa foi a extinta TV Manchete, sob comando da apresentadora Helô Pinheiro, a eterna Garota de Ipanema, que ficou associada à valorização da cultura brasileira, sendo uma figura icônica na Sapucaí e em eventos de gala.

O Mares do Sul era conhecido pelo luxo e pela cenografia tropical, que incluía a distribuição de toneladas de frutas e milhares de cocos aos convidados. Relatos indicam que o espaço possuía nove palcos com bandas variadas, espalhadas pelo Clube e pela Praia de Itararé. Relembre algumas imagens abaixo.

@@NOTICIA_GALERIA@@

Sucesso litorâneo

Diferente dos bailes de Carnaval convencionais, o Mares do Sul era notório por um repertório musical que privilegiava o pop, o rock e trilhas sonoras de cinema em detrimento das tradicionais marchinhas. Com uma área de 40 mil metros quadrados, o clube chegava a comportar até 50 mil pessoas em seus momentos de pico, divididas entre a sede social e as áreas de piscinas.

As transmissões ao vivo contavam com nomes que viriam a ser proeminentes na comunicação brasileira, como Emílio Surita, Otávio Mesquita e José Luiz Datena. O formato das reportagens, muitas vezes marcado pelo improviso e pelo som ambiente elevado, tornou-se uma característica marcante da programação televisiva da época, gerando inclusive subprodutos como fitas VHS com os melhores momentos da folia.

Declínio

Após o encerramento das transmissões nos anos 90, o Ilha Porchat Clube enfrentou um período de retração econômica. O declínio resultou em dívidas tributárias e na suspensão de eventos sociais, culminando na interdição da sede em 2015. Por quase uma década, o local permaneceu com atividades reduzidas e sinais de abandono.

Recentemente, o espaço passou por um processo de reabilitação estrutural e voltou a receber eventos de alto padrão e investimentos privados, incluindo festas intimistas do jogador Neymar Jr.

Embora o perfil das celebrações tenha se modernizado, a memória dos bailes da década de 1980 permanece como o período de maior relevância cultural do clube, simbolizando uma era em que São Vicente era o destino obrigatório da elite e das câmeras de televisão durante o verão.