Furtos de combustível voltam a crescer e São Paulo é o estado mais atingido

Após seis anos de queda contínua, ocorrências de derivações clandestinas sobem para 31 registros no país

O cenário é especialmente crítico no estado de São Paulo, que concentra mais de 70% da atividade criminosa

O cenário é especialmente crítico no estado de São Paulo, que concentra mais de 70% da atividade criminosa | Divulgação/Transpetro

Segundo informações compartilhadas pelo portal Agência Brasil, a Transpetro registrou, em 2025, um aumento nas ocorrências de furtos e tentativas de furto em sua malha de dutos, interrompendo uma trajetória de queda que vinha desde 2018. Ao todo, foram 31 casos no ano passado, contra 25 em 2024. 

O cenário é especialmente crítico no estado de São Paulo, que concentra mais de 70% da atividade criminosa no país, saltando de 17 para 22 ocorrências em apenas um ano.

O presidente da estatal, Sérgio Bacci, classificou o aumento como preocupante, ressaltando que o crime não gera apenas prejuízo financeiro, mas coloca comunidades em risco e pode causar danos ambientais irreparáveis. 

Além disso, as intervenções criminosas ameaçam o abastecimento de combustíveis em setores vitais, como aeroportos e hospitais. 

A empresa investe anualmente R$ 100 milhões em prevenção e monitoramento, mas defende que a solução exige um endurecimento da legislação e maior apoio dos órgãos de segurança pública.

Raio-X dos Estados

A maior incidência em São Paulo é atribuída à densidade da malha dutoviária e à proximidade com grandes centros urbanos, o que facilita o escoamento rápido do produto subtraído. 

No entanto, o crime parece estar se expandindo geograficamente: Minas Gerais viu o número de casos saltar de um para seis no último ano. 

Ambos os estados são cortados pelo Oleoduto São Paulo-Brasília (Osbra), via estratégica para o escoamento de derivados de petróleo.

Por outro lado, o Rio de Janeiro apresentou um resultado positivo, reduzindo de 13 derivações em 2020 para apenas uma em 2025. Para a Transpetro, essa queda demonstra que a integração com as forças de segurança pública e o investimento em inteligência são eficazes quando aplicados de forma contínua.

Estratégia de Combate para 2026

Para o decorrer deste ano, a Transpetro manterá sua estratégia baseada em tecnologia de monitoramento, parceria com polícias e diálogo com as comunidades vizinhas aos dutos. A companhia destaca que o modal dutoviário é essencial para a sustentabilidade, emitindo 99,5% menos gases do que o transporte rodoviário.

O canal de denúncias da Transpetro, o número 168, continua sendo a principal ferramenta de auxílio da população. 

A ligação é gratuita e pode ser feita por qualquer pessoa que perceba movimentações suspeitas nas faixas de dutos, como presença de caminhões e forte cheiro de combustível.