Há 65 anos habitantes dessa cidade brasileira não pagam conta de água por um fenômeno impressionante

Desde a sua fundação, cidade mantém um privilégio quase único no Brasil: o fornecimento de água a custo zero para a população

Os moradores de Itapororoca (PB) não pagam tarifa de água há mais de seis décadas

Os moradores de Itapororoca (PB) não pagam tarifa de água há mais de seis décadas | Banco de imagens

Em um país onde as tarifas de água e esgoto pesam cada vez mais no orçamento familiar, existe um lugar onde o hidrômetro é um objeto desconhecido.

Desde a sua fundação, Itapororoca mantém um privilégio quase único no Brasil: o fornecimento de água a custo zero para a população. O motivo não é uma canetada política, mas uma combinação perfeita de relevo e hidrografia.

A engenharia natural da gravidade

O grande trunfo de Itapororoca está em como a água chega até as casas. Enquanto a maioria das cidades gasta fortunas com eletricidade para bombear o recurso por quilômetros, a natureza local resolveu o problema sozinha:

  • Nascente de Altitude: O reservatório natural está localizado em uma cota elevada em relação à cidade. Isso faz com que a água utilize apenas a força da gravidade para percorrer os canos e chegar às torneiras.

  • Auto-purificação: O caminho percorrido pela água através de camadas de rochas específicas funciona como um filtro natural de alta eficiência, reduzindo drasticamente a necessidade de tratamentos químicos complexos.

  • Gestão Local Independente: Desde 1961, o município mantém o controle direto sobre suas fontes, recusando-se a entregar o sistema para companhias estaduais que passariam a cobrar pelo serviço.

Dica do editor: Construída no meio do nada, essa cidade brasileira tornou-se uma potência.

O santuário que alimenta as torneiras

O “coração” desse sistema é o Parque da Nascença. Diferente de uma estação de tratamento convencional, o local é um paraíso ecológico que cumpre dupla função.

Além de ser o ponto de captação que abastece milhares de famílias, o parque é um balneário turístico repleto de piscinas naturais.

A mata preservada ao redor da fonte é o que garante que, mesmo em tempos de seca severa no Nordeste, o fluxo de água em Itapororoca não cesse. É um ecossistema que se autogere e, de quebra, fomenta o lazer e o turismo na região.

O futuro da gratuidade em xeque

Embora o sistema tenha funcionado com perfeição por seis décadas, o crescimento populacional traz novos desafios. O que antes servia a um pequeno vilarejo, hoje precisa dar conta de uma rede com mais de 5 mil conexões.

O debate sobre a sustentabilidade desse modelo está em pauta, com discussões sobre possíveis parcerias com órgãos estaduais.

No entanto, por enquanto, a tradição da “conta zero” permanece intacta, mantendo Itapororoca como o último reduto brasileiro onde a água é tratada não como mercadoria, mas como um direito puramente natural.