Governo sanciona lei de incentivo ao diagnóstico de autismo em adultos e idosos

A lei visa identificar TEA tardiamente para garantir suporte adequado, evitando diagnósticos errôneos de ansiedade ou depressão

Estudo afirma que 80% das mulheres com autismo não recebem o diagnóstico até a idade adulta

Estudo afirma que 80% das mulheres com autismo não recebem o diagnóstico até a idade adulta | Freepik

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou na semana passada a Lei nº 15.256/2025, que tem como principal objetivo incentivar o diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) em adultos e idosos.

Publicada no Diário Oficial da União (DOU) no último dia 13 de novembro, a medida representa um passo crucial para ampliar o acesso à identificação e garantir que essa parcela da população possa receber o suporte adequado.

A nova legislação altera as diretrizes da Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com TEA (Lei nº 12.764), que historicamente priorizava a identificação na infância.

A ausência de um diagnóstico correto na vida adulta pode gerar profundas dificuldades sociais, educacionais e profissionais, frequentemente levando à interpretação equivocada dos sintomas, que são muitas vezes confundidos com ansiedade ou depressão.

Sinais do TEA em Adultos

Embora os sintomas centrais do TEA (dificuldades de comunicação, interação social e comportamentos repetitivos) persistam, em adultos eles podem se manifestar de maneiras mais internalizadas ou mascaradas.

Alguns dos principais indicadores e sintomas adicionais de TEA em adultos incluem dificuldade de comunicação e interação social, interesses restritos e intensos, comportamentos repetitivos ou de rotina, sensibilidade sensorial e dificuldade profissional. Entenda melhor os sinais na galeria abaixo.

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Como obter o diagnóstico

O diagnóstico de TEA em adultos é um processo complexo, que requer uma avaliação clínica detalhada e retrospectiva do histórico de vida do paciente.

A avaliação deve ser realizada por uma equipe ou profissional especializado, como neurologistas, psiquiatras ou psicólogos clínicos com experiência em neurodesenvolvimento.

O processo inclui entrevistas aprofundadas com o paciente e, se possível, com familiares próximos (pais ou irmãos) para coletar informações sobre o comportamento na infância e adolescência. São utilizados instrumentos e escalas de avaliação padronizados para o TEA em adultos.

Possíveis tratamentos e suporte

O objetivo do tratamento não é “curar” o autismo, mas sim oferecer estratégias para melhorar a qualidade de vida, a adaptação social e a saúde mental.

A terapia comportamental, por exemplo, ajuda no desenvolvimento de habilidades sociais, gerenciamento de ansiedade e estratégias para lidar com sobrecargas sensoriais e dificuldades de comunicação.

Já a terapia ocupacional pode auxiliar adultos a criarem rotinas funcionais e a gerenciarem questões de processamento sensorial no dia a dia.

Nenhum medicamento trata o autismo em si, mas pode ser prescrita por psiquiatras para tratar sintomas associados que frequentemente acompanham o TEA, como depressão, ansiedade severa ou Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC).