Fernando de Noronha, um dos destinos mais emblemáticos do Brasil, está prestes a viver uma transformação energética inédita.
A ilha, situada a 545 quilômetros do continente, poderá se tornar a primeira comunidade insular habitada da América Latina a operar com 100% de energia renovável.
O projeto, batizado de Noronha Verde, é liderado pela Neoenergia e conta com a participação da WEG, que será responsável pela parte técnica e pela instalação do sistema de geração solar e armazenamento de energia.
A iniciativa integra o Programa Mais por Noronha e é apoiada pelos governos federal e estadual, com envolvimento direto do Ministério de Minas e Energia e do Governo de Pernambuco.
A proposta é ambiciosa: mais de 30 mil painéis solares devem ser instalados, somando 22 megawatts-pico (MWp) de potência, acompanhados de um banco de baterias com 49 megawatts-hora (MWh) de capacidade.
Dica do editor: A ‘ilha’ brasileira que virou referência nacional em qualidade de vida.
Essa estrutura permitirá manter o fornecimento de eletricidade mesmo à noite ou em dias nublados, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis e garantindo operação contínua.
Licenciado pela CPRH e com aprovação do ICMBio, o projeto será executado em duas fases, a primeira com previsão de funcionamento até maio de 2026, e a segunda até 2027.
Quando concluído, o sistema deve colocar Noronha como exemplo global de sustentabilidade em ilhas oceânicas.
Entre avanços e contradições ambientais
Apesar dos planos para se tornar um laboratório de energia limpa, Noronha enfrenta um cenário preocupante em relação ao meio ambiente.
A administração da ilha, sob responsabilidade do Governo de Pernambuco, vem sendo criticada por problemas de gestão e degradação ambiental.
Em agosto de 2025, o ICMBio realizou uma operação de fiscalização considerada a maior dos últimos anos, aplicando multas que somaram quase R$ 71 mil.
Veja esse vídeo sobre a ilha:
As infrações incluíram ocupações irregulares em áreas protegidas, despejo de poluentes na água, perseguição de golfinhos por embarcações e abandono de veículos em áreas de preservação.
Nos meses seguintes, denúncias de moradores chamaram atenção para o acúmulo de lixo e entulho nas vias públicas, problema atribuído à gestão privada da limpeza urbana, sob responsabilidade da empresa Ambipar.
O ano de 2024 também registrou recordes de multas ambientais por construções e reformas não autorizadas, especialmente na expansão de pousadas em regiões sensíveis da ilha.
Pesquisas recentes apontam que a poluição plástica e o descarte de resíduos da pesca estão entre as principais ameaças aos recifes e à fauna marinha.
Garrafas, redes e microplásticos recolhidos em praias e no fundo do mar mostram que o ecossistema local está sob forte pressão, um risco direto para o turismo, principal motor econômico de Noronha.
Principais pontos:
- Fernando de Noronha caminha para se tornar a primeira ilha habitada da América Latina totalmente abastecida por energia renovável.
- O projeto Noronha Verde é liderado pela Neoenergia e tem participação técnica da WEG.
- A iniciativa faz parte do Programa Mais por Noronha e conta com apoio dos governos federal e estadual.
- Serão instalados mais de 30 mil painéis solares, com capacidade total de 22 MWp.
- O sistema contará com baterias de 49 MWh, garantindo energia contínua mesmo à noite ou em dias nublados.
- O projeto tem licenciamento da CPRH e autorização do ICMBio, com previsão de conclusão até 2027.
- Apesar do avanço sustentável, a ilha enfrenta problemas ambientais e de gestão pública.
- Em agosto de 2025, o ICMBio aplicou quase R$ 71 mil em multas por infrações ambientais diversas.
- Acúmulo de lixo, construções irregulares e poluição plástica são algumas das principais ameaças ao ecossistema local.
- O projeto simboliza o contraste entre inovação energética e desafios ambientais que Noronha ainda precisa superar.
