ONU aponta avanço menor que necessário e faz alerta sobre futuro da humanidade

O levantamento destaca que evitar o agravamento da crise climática exigiria mudanças mais agressivas e imediatas

Para manter o aquecimento abaixo de 2°C, as emissões globais de gases de efeito estufa precisariam ser reduzidas em 25% até 2030

Para manter o aquecimento abaixo de 2°C, as emissões globais de gases de efeito estufa precisariam ser reduzidas em 25% até 2030 | Pixabay/Arte DL

Um novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), divulgado nesta terça-feira (4), trouxe um alerta contundente às vésperas da COP30, que será realizada em Belém (PA). 

Segundo o documento, as políticas climáticas atualmente em vigor colocam o planeta no caminho de um aumento de temperatura entre 2,3°C e 2,5°C até o fim do século — cenário que ultrapassa com folga o limite de 1,5°C definido no Acordo de Paris.

O levantamento destaca que evitar o agravamento da crise climática exigiria mudanças mais agressivas e imediatas. Para manter o aquecimento abaixo de 2°C, as emissões globais de gases de efeito estufa precisariam ser reduzidas em 25% até 2030 em relação aos níveis de 2019. Para alcançar a meta de 1,5°C, o corte necessário sobe para 40%.

ONU aponta falhas

A diretora-executiva do Pnuma, Inger Andersen, avaliou que as nações falharam em suas três grandes oportunidades de cumprir o acordo firmado há uma década. 

Apesar de avanços pontuais, ela afirmou que o ritmo das ações adotadas até agora é “insuficiente diante da urgência climática”.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, reforçou que o cenário projetado indica que o planeta deve ultrapassar o limite de 1,5°C. Ele defendeu, porém, que os governos mantenham esforços máximos para limitar o tempo e a intensidade desse descumprimento.

Avaliações contrastantes

O relatório também observa movimentos contrastantes entre os principais emissores globais. Em 2024, as emissões globais cresceram mais de 2,3%, impulsionadas principalmente por Índia, China, Rússia e Indonésia.

Em sentido oposto, a União Europeia registrou queda, enquanto os Estados Unidos, que devem deixar oficialmente o Acordo de Paris no próximo ano — continuam ampliando suas emissões.

O documento deve embasar negociações e pressões diplomáticas durante a COP30, reforçando a necessidade de medidas estruturais para reverter a trajetória atual do clima global.