O governo do Rio de Janeiro iniciou, nesta quarta-feira (29), um processo de identificação de corpos resultantes da Operação Contenção, realizada na terça-feira (28) nos complexos da Penha e do Alemão.
Entre os familiares que aguardam do lado de fora do necrotério, o clima é de revolta e desespero. Um homem que preferiu não se identificar afirmou à Agência Brasil ter encontrado o corpo do irmão em condições degradantes.
“Largaram ele lá, sem roupa. Nem animal é tratado assim. Não importa o que a pessoa fez, ninguém merece isso”, disse.
Outra moradora, viajou de Arraial do Cabo para reconhecer o corpo do pai de sua filha de um ano e três meses. Ela contou à Agência Brasil que a última conversa com ele aconteceu durante a operação.
“Ele mandou mensagem dizendo que estava encurralado e que não sabia se ia aguentar. Disse que tinha muita gente ferida perto dele. Depois disso, o celular ficou mudo”, relatou.
Horas mais tarde, Vitor foi encontrado morto, com marcas de tiros na perna e no pé.
Corpos reunidos em praça
Familiares das vítimas foram orientados a comparecer ao Departamento Estadual de Trânsito (Detran-RJ), ao lado do Instituto Médico Legal (IML), no centro da capital, onde é feito o cadastramento para o reconhecimento.
Os corpos, muitos com sinais de execução, foram reunidos na Praça São Lucas antes de serem levados ao IML. Ainda não há previsão para liberação das vítimas.
Segundo informações de órgãos estaduais, o número de mortos pode ser maior do que o divulgado inicialmente. Além das 64 mortes confirmadas no balanço oficial, equipes de resgate recolheram mais de 70 corpos em áreas de mata no Complexo da Penha durante a madrugada.
A operação mais letal em anos
A Operação Contenção, deflagrada por 2,5 mil policiais civis e militares, é considerada uma das mais letais da história recente do estado. O objetivo, segundo o governo, era conter a expansão territorial do Comando Vermelho e capturar lideranças da facção.
Enquanto autoridades classificam a ação como necessária para “retomar o controle de áreas dominadas pelo crime”, familiares e organizações de direitos humanos questionam o número de mortos e denunciam a falta de transparência na condução das investigações.
