COP 30: Brasil quer que o mundo quadruplique o uso de combustíveis sustentáveis

Assessora do Ministério de Minas e Energia destaca protagonismo do país na transição energética e nas metas de descarbonização

O uso do etanol completa 50 anos justamente durante a COP 30

O uso do etanol completa 50 anos justamente durante a COP 30 | Marcelo Camargo/Agência Brasil

Com uma matriz elétrica renovável, mais de 90% proveniente de fontes como hidrelétricas, eólica e solar, o Brasil levará à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), em Belém (PA), uma proposta ousada: que os demais países firmem um compromisso voluntário de multiplicar por quatro o uso de combustíveis sustentáveis.

A informação foi dada por Mariana Espécie, assessora especial do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, durante o programa Estúdio COP 30, transmitido pelo Canal Gov, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

A proposta é um desdobramento do acordo firmado na COP 28, em 2023, que visa acelerar a transição para o fim do uso de combustíveis fósseis até 2050.

A transição energética é vista como fundamental para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e combater o aquecimento global. Segundo a assessora, a experiência nacional credencia o país a fazer essa “provocação”.

“Como o país que está hospedando a COP 30, a gente quer fazer essa provocação para os demais países. A nossa experiência nos credencia para falar isso para o mundo e é um compromisso voluntário. Em Belém, o Brasil estará convidando o mundo a quadruplicar o uso de combustíveis sustentáveis”, disse Mariana Espécie.

O Brasil se posiciona como exemplo nessa substituição, investindo em tecnologias como biocombustíveis e hidrogênio de baixa emissão.

“A gente está falando principalmente de biocombustíveis e de hidrogênio de baixa emissão, que são duas soluções que a gente vai precisar muito para esse futuro da transição energética acontecer na velocidade e ritmo que precisa ser feito”, explicou.

Legislação inovadora

A experiência brasileira em biocombustíveis completa 50 anos justamente durante a COP 30. A trajetória teve início na década de 1970, com a internalização dos biocombustíveis na matriz energética. Agora, é hora de atualizar a inovação.

“A gente substitui gradualmente o uso de petróleo em várias formas de combustíveis, principalmente no segmento de transporte, mas também temos algumas usinas térmicas, por exemplo, que usam bioenergia como insumo para aquecer as caldeiras e gerar eletricidade”, detalhou a assessora.

A celebração dos 50 anos do etanol, iniciada em 14 de novembro de 1975, será um marco em Belém. “Foi nessa data que a gente começou essa nossa trajetória com o etanol, e que serve como referência para o mundo, inspirou países, principalmente desenvolvidos, como é o caso dos Estados Unidos também, a adotarem o etanol como combustível em várias finalidades”, disse ela.

A assessora citou avanços recentes, como o aumento do percentual de etanol na gasolina (de 27% para 30%) e de biodiesel no diesel (de 10% para 15%), implementados em agosto.

Outro marco é a sanção da Lei do Combustível do Futuro (no ano passado), que prevê a mistura de biodiesel no diesel em 20% até 2030, além de criar programas nacionais para diesel verde, SAF (Combustível de Aviação Sustentável) e biometano, destravando investimentos de R$ 260 bilhões.

“Nós estamos caminhando para um futuro cada vez mais sustentável e renovável no Brasil. Nós já temos leilões programados para entregar mais energia renovável para o nosso país até 2030, mais linhas de transmissão, mais combustíveis sustentáveis, biocombustíveis, com biogás, biometano, SAF (Combustível de Aviação Sustentável), combustíveis marítimos”, afirmou.

Impacto ao consumidor

Mariana Espécie defendeu que o setor privado deve auxiliar no financiamento de pesquisas e investimentos em novas tecnologias, citando o papel do investimento público, como os financiamentos via BNDES. A prioridade, contudo, deve ser o impacto ao bolso do cidadão.

“Normalmente a nossa escolha é pela solução que tem o menor custo, porque no final das contas, vai impactar o bolso do consumidor. E hoje essas soluções já são competitivas o suficiente para entregar energia barata para todas as brasileiras e brasileiros.”

A assessora ressaltou a importância de considerar o contexto socioeconômico nacional. “Não podemos esquecer que o Brasil é uma economia emergente, temos condições socioeconômicas muito específicas e que qualquer impacto tem um peso diretamente no orçamento das famílias, e isso precisa ser devidamente considerado também”, completou ela.