Uma rede de solidariedade proporcionou um Dia das Crianças diferente à comunidade da Aldeia, em Vicente de Carvalho, no último fim de semana. A parceria entre o projeto “Comunidade Nostra” (Igreja Palavra de Vida), Guerreiros sem Armas (Instituto Elos), Prefeitura de Guarujá, moradores e apoiadores resultaram em mais de 100 fachadas pintadas, a revitalização dos campinhos e implantação de brinquedos em dois parquinhos, além do espírito de coletividade desenvolvido nos moradores.
A partir da intervenção, foram instalados na comunidade da Aldeia um escorregador, um balancê, um cesto de basquete e duas traves de futebol, doados por parceiros. O grupo fez ainda uma barreira de contenção com garrafas pet para reter o lixo trazido pela água da maré. Os organizadores do Oásis reforçaram a importância de conscientizar as pessoas que não devem jogar descartáveis no mar.
O integrante do projeto “Comunidade Nostra”, Felipe Ferreira, conta que o Oásis nasceu com o projeto de jiu-jitsu da Igreja Palavra de Vida e foi expandido para outras áreas ao longo do tempo. “Hoje (domingo, 13), o Oásis foi bem intenso, veio muita gente e conseguimos tinta, cimento e brinquedos com os parceiros. Realizamos o trabalho dentro do planejado e tem muita criança participando. Muitos presentes que as crianças ganham no dia 12 de outubro vão se quebrar, mas esta inserção de valores é o maior presente que elas podem ganhar. Desenvolvemos a coletividade”, afirmou.

A ação contou até com a participação de um voluntário de Manaus, Raí Campos. O grafiteiro, que gosta de ser chamado de Raiz Campos, veio com a esposa da Amazonas para a Bahia há poucos meses participar de um encontro de seu segmento. De lá, foram para Pernambuco e depois São Paulo, onde ficaram sabendo por uma rede de amigos que a mobilização aconteceria em Guarujá. “Estou fazendo isso aqui (grafitagem) porque pintar é a minha vida. O grafite nos proporciona esse contato social. A gente precisa apagar o ‘cinza’ do nosso dia-a-dia e trazer cores, que já mudam o nosso ânimo”, comentou.
Já Flávia Freitas Ramos, facilitadora do Instituto Elos no projeto Guerreiros sem Armas, veio de São Paulo colaborar com a iniciativa. Para ela, a proposta foi otimizada e a comunidade abraçou a ideia. “É difícil envolver jovens das comunidades e aqui eles já são mobilizados pelo projeto já existente. Todo mundo fez o seu melhor. A gente começa a pintar e aí já vem um morador e crianças para ajudar”, contou a voluntária.
Uma nova proposta de infância
Para o morador do bairro Prainha, Francisco Valdenir Vasconcelos Nascimento, que cresceu na comunidade, a oportunidade é única e precisa ser aproveitada. Ele trabalha como operador portuário no cais, mas se formou em Administração de Empresas e cursa faculdade de Direito.
Francisco conheceu um grupo quando foi doar um quimono e acabou se envolvendo no projeto. “Eu amo fazer este serviço. Tive uma infância em que não fizeram por mim, mas quero colaborar com os outros. Dou aula de jiu-jitsu como voluntário e acredito que hoje a molecadinha tem um a nova opção: o esporte”, relatou.