Por Válter Suman *
Recém formalizada, a criação da Área de Proteção Ambiental (APA) da Serra de Santo Amaro é mais uma importante vitória para Guarujá. Representa a garantia de que a cidade delineará seu futuro a partir das diretrizes do desenvolvimento sustentável.
A segunda APA criada em âmbito municipal – a primeira, a da Serra do Guararu, na região leste da Ilha de Santo Amaro, foi oficializada em 2012 – coloca cerca de 56% do território municipal sob regime de proteção ambiental e manejo sustentável, compondo um grande território de Mata Atlântica, restingas, manguezais e outras formações.
E o melhor de tudo: o Município ganha um eficaz mecanismo que permite o desenvolvimento sustentável sem impactar as atividades econômicas e sociais, possibilitando, concomitantemente, uma gestão compartilhada do território, como é previsto nessa modalidade de Unidade de Conservação.
À primeira vista, pode parecer que a nova APA representaria obstáculos para o desenvolvimento de atividades portuárias, por exemplo, como chegou a ser aventado no início dessas discussões. Porém, como se demonstrou amplamente nas oficinas e em audiência pública promovida em 2019, esse tipo de proteção não impede que referidas atividades sejam levadas a efeito, até porque estão na esfera de licenciamento do Estado.
Nessas reuniões técnicas, ficou claro, ainda, que as ações náuticas, portuárias, imobiliárias, turísticas e comerciais em geral terão grandes benefícios, podendo desenvolver-se ordenadamente com apoio do conselho gestor da APA da Serra de Santo Amaro, que buscará seguir o sucesso da APA da Serra do Guararu, detentora de premiação internacional como uma das três melhores do Brasil em governança ambiental.
Essa ousada iniciativa e visão de futuro são frutos de muitos anos de estudos efetuados por entidades da sociedade civil, dentre as quais o Instituto de Segurança Socioambiental (ISSA), que culminou com uma proposta socioambiental formal apresentada na Conferência Municipal de Meio Ambiente de 2019, promovida pela Prefeitura de Guarujá. Uma ideia que transcende qualquer interesse particular e coloca o interesse público à frente desse processo.
O próximo passo é viabilizar a criação do Corredor Ecológico de Guarujá, a ser criado a partir da junção das duas APAs da cidade, abrindo uma série de possibilidades sustentáveis.
O corredor ecológico garante, por exemplo, uma enorme gama de potencialidades no âmbito do ecoturismo, fomentando uma cadeia em que o Município, dono da maior oferta de leitos de hospedagem do litoral paulista, já tem reconhecido know-how.
Esse novo cenário de Guarujá será associado às obras de macrodrenagem já em curso, ao descarte ordenado de resíduos, aos mirantes de observação recém-instalados, à manutenção da balneabilidade das praias, à expansão do sistema portuário e a tantos outros instrumentos que qualificam o desenvolvimento sustentável como uma das principais premissas de vanguarda para a qualidade de vida.
O Corredor Ecológico de Guarujá será um orgulho para moradores e turistas e serve de inspiração a outras cidades para percorrer essa mesma trilha, que eleva a relação homem-ambiente ao patamar mais significativo do respeito e dignidade.
* Válter Suman, prefeito de Guarujá
