Um morador de uma casa na Rua Doutor Nilo Costa, 22, em Santos, de 50 anos de idade e que já resistiu a dois infartos, se viu na noite deste domingo (25) novamente perto da morte. Isso porque após uma fiscalização de agentes públicos a um comércio na Praça Palmares, onde estaria ocorrendo um evento de samba irregular, tiros foram disparados por uma pessoa e um dos projéteis atingiu a sala da casa onde o homem mora com o pai, de 85 anos.
Na tarde desta segunda-feira (26), ao ser entrevistado pelo Diário do Litoral, o morador de 50 anos afirmou categoricamente: “por causa de três minutos, praticamente, o disparo não pegou em mim. A sensação foi de que eu podia ter morrido”.
O tiro atingiu o vidro da sala da casa e depois uma parede do mesmo cômodo, por volta das 22h38. Um puff fica embaixo do local do disparo e um rack logo ao lado.
Naquele rack, pai, filho e irmãos que visitam a casa deixam seus objetos, como máscaras de proteção contra Covid-19, óculos, carteira. O morador de 85 anos também costuma usar muito o rack para deixar pertences. No momento dos tiros, estava em seu quarto na parte superior do imóvel.
O idoso, após ouvir os disparos, ouviu e seguiu a seguinte recomendação do filho: “pai, não levanta não. Não abra a porta e não abra a janela”. O filho foi dormir após o banho, na parte superior do imóvel, e só descobriu, juntamente com o pai, o tiro que atingiu a sala no dia seguinte, com a chegada de seu irmão para tomar café.
O visitante viu vidro espatifado sobre o sofá e a perfuração na parede, bem como o projétil caído. Os dois moradores da casa tinham passado pela sala, para tomarem café na cozinha, sem perceberem os danos causados pelo tiro.
À Reportagem, o morador que escapou da morte afirmou que tinha acabado de chegar da casa da namorada. “Tinha visto as viaturas (da Guarda Municipal e da Polícia Militar) fazendo a ocorrência no comércio e pus minha mochila no puff, comi alguma coisinha, peguei minha mochila e subi. Aí no que eu subi, um minuto depois, teve uma pessoa gritando, que era pai de família, e que daria um tiro no cagueta. Dois minutos depois teve uns quatro ou cinco disparos. Eu não consegui associar, naquela noite, que um dos disparos tinha sido dentro da minha casa”, conta.
Tensão
Esta não é a primeira vez que há gritos após fiscalização neste comércio e já houve ameaças a vizinhos, conforme relata o morador de 50 anos afetado pelo crime de disparo de arma de fogo. Ele observa que no local há muitas câmeras de monitoramento e espera a elucidação da autoria do crime.
“Se eu não falar nada, amanhã ele vai dar outro tiro. (…) Seria quase na altura do meu peito mesmo”, frisa à Reportagem.
O morador procurou o 3° Distrito Policial de Santos (Ponta da Praia), onde a ocorrência foi registrada sob a natureza de disparo de arma de fogo consumado.
Prefeitura
Procurada pela Reportagem, a Prefeitura afirmou que a Guarda Civil Municipal (GCM) recebeu uma denúncia sobre o estabelecimento. “Quando a equipe da GCM chegou ao local, o estabelecimento encontrava-se fechado, apenas com o som ligado e em um nível baixo. O proprietário foi orientado quanto à perturbação”.
Sobre os tiros, a Prefeitura disse que a investigação de delitos é de responsabilidade das autoridades policiais.
A Prefeitura ressalta que a população, sempre que constatar irregularidades, pode denunciar via Ouvidoria (162 e www.santos.sp.gov.br/ouvidoria) e pelo telefone 153, da GCM, que fica disponível 24h/ dia e é interligado ao Centro de Controle Operacional (CCO) de Santos.
Estabelecimento
O estabelecimento situado na Praça Palmares também foi procurado pela Reportagem, por telefone, mas o número estava indisponível.
