Quem conhece Stefany Lopes sabe que a paixão por festa sempre fez parte de sua vida. Criada em meio aos jogos de luz e sons mixados pelo pai Adilson – mais conhecido como DJ Flash – ela conta que cresceu brincando nos eventos na ‘barra da saia’ da mãe Mara, que atuava no caixa das festas produzidas pelo marido. E talvez tenha sido o destino que fez com que aos 23 anos a recém-formada em Propaganda e Marketing seguisse pelo caminho dos eventos, fundando a Divas Bartender.
Quase cinco anos após a empreitada, Stefany comemora, no final deste mês, a marca de 400 eventos realizados ao lado de 13 colaboradas. “A dica que eu dou é acreditar em você, trabalhar com honestidade e estar preparado para alguns meses difíceis. Comecei a lucrar efetivamente depois de dois anos de muito trabalho e dedicação. Hoje, felizmente posso dizer que todo meu sustento e o de muitas meninas vem exclusivamente da Divas”, conta.
Apesar da influência – e do apoio familiar – a empresa surgiu a partir de um dos imprevistos da vida. “Estagiei em um banco e queria seguir os passos da minha gerente e ser bancária. Mas no segundo ano da faculdade tive a disciplina de Marketing de Eventos e foi amor à primeira vista. Ali eu tive a certeza de que eu não queria mais a vida burocrática do banco e queria viver esse universo de eventos, mais precisamente, casamentos e debutantes”, relembra.
Depois de muitos nãos, Stefany conseguiu uma vaga como atendente em uma pequena produtora de eventos em São Vicente, atuando em todos os setores: fez decoração, muitos freelas de recepcionista e até chegou a ser DJ. Mas por não conseguir alinhar a rotina agitada com os estudos, optou por sair.
“Em 2012, com 21 anos, tive a ideia de procurar um trabalho na noite, nas baladas. Mesmo sem saber fazer uma caipirinha, consegui uma vaga no bar de uma balada famosa em Santos, onde permaneci por quase 2 anos. Aprendi muito na raça, sem curso, sem nada. Ali surgia uma outra paixão: o mundo da coquetelaria. Era uma forma de me sustentar durante o último ano e ainda, ter uma outra profissão”, conta.
Após um período atuando na equipe de marketing da própria faculdade, a empreendedora sentiu saudade do mundo dos eventos – que ficaram restritos apenas aos finais de semana livres.
“Em setembro de 2014, voltei para a produtora que havia trabalhado em 2010 apenas para cobrir a licença médica e o dono teve a ideia de falar que eu tinha uma empresa de bartender para todos clientes que entravam lá. Eu só tinha uma coqueteleira e por influência dele comecei a falar do meu trabalho. Meu primeiro orçamento foi completamente sem base e lucrei só R$50. Dois meses depois comecei a investir na marca: meu pai fabricou os primeiros módulos de balcão e abri meu CNPJ para formalizar o negócio”, relembra.
GIRL POWER
Trabalhar em um ramo quase que totalmente ocupado por homens exigiu muita coragem e jogo de cintura. “Não que a empresa tenha surgido com o intuito de ser 100% feminina, mas eu carregava na pele as coisas que passei e o quanto lutei para me afirmar nesse mercado, então comecei a chamar as meninas do ramo que conhecia e isso virou nossa marca. O nome veio de uma assessora que acidentalmente batizou a minha empresa, pelo fato de ter só mulheres trabalhando”, conta.
Em maio de 2015 outro investimento precisou ser feito: a aquisição de um carro de carga após diversos prejuízos. “Pensei diversas vezes em largar tudo e procurar um emprego, mas cada vez que pensava nisso, apareciam mais clientes e pessoas acreditando em meu trabalho. Foram tempos muito difíceis, mas Deus sempre esteve à frente de tudo e me sustentou nas incontáveis noites de choro e também de desespero pelas contas que batiam na porta. Eram empréstimos intermináveis, mas nunca deixamos de cumprir os contratos fechados”, relembra.
CRESCIMENTO
Stefany acredita que se profissionalizar e investir no ramo foi essencial para o crescimento, mesmo nos períodos de dificuldades. “Consegui uma sala para atendimento em Santos (onde estou até hoje, porém sozinha) que na época era compartilhada com mais 3 empresas do segmento de eventos. Em 2016 fui apresentada a uma consultora de negócios que fez com que a empresa tivesse a identidade visual que tem hoje e me ajudou a deixar tudo mais profissional. Consegui sair do tão temido cheque especial e começar a ficar novamente no azul”, relembra.
A partir de 2017 a empresa, já com as contas em ordens, começou a se expandir e hoje, além de mais opções de eventos, está em processo seletivo para preencher quatro postos de trabalho.
O segredo do sucesso para ela é simples: batalhar e ter ao redor pessoas que acreditem em seus sonhos. “Meus primeiros e principais incentivadores foram meus pais. Meus amigos, meu amor e minha equipe também foram essenciais. Olhando pra trás, só vejo que cada suor valeu a pena e que quando se faz qualquer coisa com amor e fé em Deus, todo o resto vem”, finaliza.
