Momento político não abala PSDB e PT

O cientista político Fernando Wagner Chagas acredita que João Doria deva olhar para a Baixada Santista com isenção e atenção, considerando a importância da região até pelo Porto de Santos.

João Doria legitimou sua vitória nas urnas para governador do estado de São Paulo por vantagem de pouco mais de 740 mil votos sobre o candidato do PSB, Márcio França. Com isso, consolida a hegemonia do PSDB no comando do estado mais rico da federação pela sétima vez consecutiva. No entanto, ele se mostra um estranho no ninho tucano, expressando ideias e interesses que não vão ao encontro da visão dos caciques, dos fundadores do partido. 

Além dessa suposta independência partidária de Doria, que tende mais ao liberalismo do que à social democracia, ou seja, mais à direita do que à centro-esquerda, ele também perdeu para Márcio França na Baixada Santista, região que tem seis prefeitos do PSDB. Na região, Doria venceu apenas nas cidade de Bertioga e Praia Grande. Mas e, agora, como ficará essa relação de Doria com a Baixada? Sobre isso, o Diário do Litoral consultou dois cientistas políticos.   
    
O cientista político Fernando Wagner Chagas acredita que João Doria deva olhar para a Baixada Santista com isenção e atenção, considerando a importância da região até pelo Porto de Santos. “Embora alguns prefeitos do PSDB na Baixada Santista tenham apoiado o candidato Márcio França, do PSB, principalmente no 2º turno da disputa eleitoral, acredito que encerrado o pleito, o futuro governador deva governar o estado para todos, não só para o interior, mas também para o litoral, mesmo porque a nossa região é de fundamental importância econômica para o país em razão do Porto, que garante boa parcela do comércio exterior do Brasil. 

Não se pode esquecer que João Dória perdeu na capital do estado e nem por isso vai poder abandonar a maior cidade do país em sua administração. Acabadas as eleições, deve prevalecer o espírito público e isento do vencedor, atendendo as necessidades de todas as localidades, independentemente de rusgas passadas na disputa eleitoral”, analisou Chagas.

Já o cientista político Rafael Moreira analisa que a relação entre o governador eleito e os demais prefeitos da Baixada que apoiaram Márcio França possa ser difícil. “Vale sempre a análise pregressa. Eu acho difícil que não haja algum tipo de retaliação, acho que isso nunca vai se dar de maneira explícita, logicamente, mas acho que essa relação que o Márcio França tinha com o Paulo Alexandre Barbosa (prefeito de Santos), ela (relação de Doria) vai ser muito diferente em relação aos prefeitos da região, ainda que a maioria seja do PSDB. Isso é prova do racha que o PSDB tem tido internamente”, diz. 

O PSDB enfrenta uma crise interna importante, mas sem chance de dissolução. “Há uma clara briga interna no PSDB entre os ‘cabeças brancas’, que são os membros antigos de partido, e os ‘cabeças pretas’, que formam a ala jovem, disputando o seu comando nos últimos tempos. Há grande possibilidade do lado derrotado nesse confronto partir para a formação de outro núcleo partidário ou aderir à outra legenda. De qualquer maneira, os tradicionais tucanos ainda comandam o partido e são experientes e bem articulados para manter a sua liderança, dificultando as pretensões do Dória e seus aliados”, analisa Chagas. 

Porém, a eleição de Doria também prova a representatividade e aceitação do partido no estado de São Paulo. “O PSDB tem muitos diretórios em todo o estado e prefeitos em vários municípios, tornando um candidato do partido forte concorrente pela disputa do governo estadual. Além disso, as políticas de desenvolvimento econômico e social dos governos do PSDB no estado durante todos esses anos agradaram bastante principalmente os municípios do Interior, garantindo a competitividade dos tucanos nas disputas estaduais”, afirma.

Para Chagas, Doria não é uma ameaça aos tucanos tradicionais no que diz respeito ao comando nacional do partido, caso tenha interesse em assumir a presidência ou indicar um nome, visando abrir caminho para sua candidatura a presidente da República pelo PSDB. Atualmente, Geraldo Alckmin preside o PSDB nacional.    

Já Rafael Moreira avalia a dificuldade do PSDB em “se tornar mais uma vez um partido orgânico, que tem um projeto político nacional. Acho que o partido vai ter muita dificuldade de voltar a ocupar o espaço que buscava desde a sua fundação”. 

PT enfrenta crise moral, mas filiados e militância  mantêm hegemonia

O Partido dos Trabalhadores (PT) vem enfrentando um desgaste político considerável nos últimos anos, com a prisão de lideranças pela Lava Jato e o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, mas apesar do abalo na estrutura do partido, os cientistas políticos Rafael Moreira e Fernando Wagner Chagas reconhecem sua legitimidade garantida pela militância e a recuperação do partido. 

Moreira analisa que o PT mantém sua hegemonia apesar do abalo estrutural. “O PT acabou de eleger a maio bancada dentro da Câmara dos Deputados, embora não tenha eleito presidente da República, o que mostra que o partido ainda tem uma boa capilaridade nacional. O PSDB, além de não ir para o segundo turno, na eleição do poder Executivo, também viu sua bancada diminuir”, afirma Moreira.

“O PT teve sua estrutura muito abalada de uns anos para cá, com a prisão de algumas lideranças, com o processo de impeachment. Apesar de tudo isso, o PT ainda é o partido com o maior número de filiados. Mas, o PT tem uma diferença, além de filiados, o partido tem muitos militantes, tem muita gente que milita em prol do partido, que acredita no seu projeto de redução da desigualdade a longo prazo. É o partido com o maior grau de identificação da população. 

A hegemonia que o partido tem no campo da esquerda, ainda que ele tenha sido fundado no campo da esquerda e migrado mais para o campo da centro-esquerda, essa hegemonia ainda é muito grande. Apesar de muitas lideranças estarem descoladas da base social do partido, há uma parcela considerável ainda na base do partido que tem uma militância, que é coerente, honesta, à esquerda”, afirmou Moreira. 

Da mesma forma, Chagas também reconhece a força política do PT. “Apesar da grande rejeição do PT em âmbito nacional, justamente por causa da má administração econômica do país e a corrupção em seus governos, mesmo assim conseguiu chegar no 2º turno e perder por cerca de 11 milhões de votos, mostrando vigor para se recuperar na oposição. 

Por outro lado, o partido da ‘estrela vermelha’ precisa entender que o Bolsonaro ganhou a eleição por ser um candidato anti-PT e antissistema, cuja imagem precisa ser recuperada com uma oposição firme, mas sem radicalismos, uma vez que as propostas extremas do partido desagradam a maior parte do povo brasileiro”, afirma Chagas. 

Mas, Chagas ressalta que para voltar a crescer, o PT deve retomar sua posição de centro-esquerda, abandonado o extremismo que retomou. “De um lado, se o PT fizer uma oposição radical liderada pela Gleisi Hoffmann, terá dificuldades de voltar ao Planalto Central, como ocorreu no passado, quando o ex-presidente Lula perdeu três eleições presidenciais por causa de suas propostas extremadas. 

Por outro lado, se o partido tiver como liderança o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, com propostas mais ponderadas, tendendo à centro-esquerda e podendo alcançar o espectro central da política brasileira, poderá ter chances nas próximas eleições presidenciais, dependendo principalmente do sucesso do Governo Jair Bolsonaro”, conclui.

Advogados municipais terão plano de carreira em Santos

 A lei que institui o Plano de Carreira dos Advogados Municipais, de autoria do Executivo, foi sancionada pelo prefeito Paulo Alexandre Barbosa na última quarta-feira, em solenidade que reuniu membros da diretoria da OAB Santos, os secretários de Gestão, Carlos Teixeira Filho, e de Governo, Rogério dos Santos, o vereador Bruno Orlandi (PSDB) e demais autoridades no Paço Municipal.

“Essa foi uma das nossas propostas de campanha e estamos muito felizes por mais essa conquista aos operadores do Direito”, comemorou o articulador da lei, o presidente da OAB Santos, Luiz Fernando Afonso Rodrigues.

A Prefeitura de Santos tem 11 advogados no quadro de servidores. 

Com o Plano de Carreira, a promoção se dará por merecimento e antiguidade. Também foram criados seis níveis e seis graus, escalonados, para definir os provimentos mensais, que variam de R$ 6.021,00 a R$ 12.215,91, caso o servidor obtenha todos os níveis e graus de progressão. A jornada passará de 40 para 30 horas semanais.

A promoção por merecimento dependerá de avaliação periódica de desempenho para a ascensão entre os graus. Se a promoção for pelo critério de antiguidade, a progressão entre os níveis ocorrerá de 5 em 5 anos, apenas para profissionais que não tenham registro de pena de suspensão em ficha funcional.