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São Paulo tem explosão de casos de conjuntivite e chega a 161 surtos no ano

São notificados à prefeitura apenas os casos de surtos da doença, e não ocorrências individuais em que não há contágio de uma segunda pessoa

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18 MAI 2018Por Folhapress11h01
Até 14 de maio, a capital teve 161 surtos -quando dois ou mais pacientes são diagnosticados no mesmo local e intervalo de tempo-, que somaram 684 casosFoto: Secretaria Estadual da Saúde

A cidade de São Paulo vive uma explosão de registros de conjuntivite. Até 14 de maio, a capital teve 161 surtos -quando dois ou mais pacientes são diagnosticados no mesmo local e intervalo de tempo-, que somaram 684 casos.

No mesmo período do ano passado, foram notificados 26 surtos com 102 casos. O aumento foi de 519% e 570%, respectivamente, segundo dados da Secretaria Municipal da Saúde, sob a gestão de Bruno Covas (PSDB).

São notificados à prefeitura apenas os casos de surtos da doença, e não ocorrências individuais em que não há contágio de uma segunda pessoa, o que mostra que o número real de infectados pode ser bem maior.
Minoru Fujii, oftalmologista do Hospital Cema, afirma que os dias de calor prolongados mesmo durante o outono explicam o aumento. O vírus, diz ele, se prolifera em aglomerações, e muitas pessoas buscaram mais as piscinas, praias e até bares num período fora do comum.

"Com o calor, uma criança vai mais à piscina, por exemplo, que é um local em que há contaminação, pois o vírus fica vivo. Entra em contato, é contaminada e passa a doença adiante."

Outro motivo, segundo Rosa Maria Dias Nakazaki, diretora da Divisão de Vigilância Epidemiológica da Covisa (Coordenaria de Vigilância em Saúde do município), é que o vírus é sazonal: há anos com muitos casos, outros com menos.

"Tivemos um surto enorme em 2011, quando foram registrados 400 mil casos na capital", diz. Ela afirma que funcionários dos postos de saúde foram treinados e orientados sobre a importância de notificar os casos atendidos. "Quando vimos que os números estavam aumentando, fizemos esse alerta para tentar evitar a proliferação do vírus."

EM FAMÍLIA

Quem não conseguiu conter a contaminação foram três irmãs que moram no Jardim da Saúde (zona sul) e começaram a sentir os sintomas nos mesmos dia e horário, cada uma em seu local de trabalho. Duas delas estavam nesta quinta (17) no hospital Cema, na Mooca (zona leste), para consulta médica.

"No começo, pensei que fosse sujeira no olho, como uma areia. Depois percebi que tinha algo a mais ali, porque comecei a ter muita dor", contou a ajudante de limpeza Jaciene Romana, 47, de óculos escuros por causa da sensibilidade à luz. Ela trabalha em uma escola, local com risco de surto.

Para evitar mais contaminações na família e entre colegas, as irmãs começaram a tomar medidas de higiene mais rigorosas.

"Separamos as toalhas, usamos individualmente até as de mão. Cada uma também passou a trocar o lençol e as fronhas da cama a cada dois dias", afirmou a atendente Sueli Josefa da Silva, 42, que tem um filho de quase dois anos e teme que ele se contamine.

Outra paciente que aguardava atendimento era a securitária Márcia Alves, 45. Há uma semana, ela fez uma cirurgia para reconstruir o canal lacrimal e diz que, dois dias depois, passou a exibir sinais de conjuntivite.

"Comecei a sentir uma ardência", reclamou Márcia, que está se tratando com colírio com antibiótico.

O QUE FAZER

Fujii explica que quem tiver sintomas, como olhos avermelhados e secreções, deve ir ao médico para iniciar o tratamento. "Em geral é bem simples, com aplicação de colírios indicados. O paciente também deve ser isolado para evitar a contaminação de outras pessoas", afirma.

Lavar as mãos com frequência, mesmo que seja com álcool em gel, é a dica unânime dos especialistas para evitar a transmissão.

Para aliviar as dores nos olhos em caso de contágio, a oftalmologista Lisia Aoki, do Hospital das Clínicas, recomenda compressas frias e colírios lubrificantes. "Mas é fundamental sempre consultar um especialista."

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