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Ortopedista orienta sobre uso de mochila e maus hábitos posturais das crianças

Limite máximo suportado é de 10% do peso do corpo, alerta especialista

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31 JAN 201411h42

A volta às aulas implica na compra do material escolar, mas também na questão de como facilitar o dia a dia do aluno na hora de carregar os livros.

Para a ortopedista infantil do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE) Monica Paschoal Nogueira, a recomendação de todo profissional de saúde é que as escolas tenham armários para evitar que os alunos carreguem o material todo dia.

Mas, na impossibilidade dos armários, a indicação da médica é escolher mochilas com rodinhas, que facilitam o transporte.  A altura da haste para carregá-la deve ser observada, e ajustada à altura de cada criança. Porém, se a escola tiver escadas, o aluno fará esforço para subir do mesmo jeito e essa mochila, então, já não seria ideal.

Outro caso é o da mochila sem rodas, que deve ter duas alças para serem colocadas nos ombros, na parte das costas, e nunca carregada em um só lado. Ao escolher uma mochila é importante que ela seja leve. Quando estiver vazia, não deve pesar mais que meio quilo. O ideal é que seja de duas tiras, pois as de tira única para o ombro não distribuem o peso uniformemente, o que pode causar problemas de postura.

A volta às aulas implica na compra do material escolar, mas também na questão de como facilitar o dia a dia do aluno na hora de carregar os livros (Foto: Divulgação)

“O estudante deve tensionar as tiras para que a mochila fique bem junto ao corpo e aproximadamente a cinco centímetros acima da linha da cintura. As alças devem ser acolchoadas, reguláveis e com largura mínima de quatro centímetros na altura dos ombros. Tiras estreitas podem causar compressão nos ombros e restringir a circulação. É interessante também concentrar os objetos mais pesados no centro da mochila e mais próximos das costas”, observa.

“O máximo suportado pelo corpo é de 10% do seu peso, ou seja, para uma criança de 30 quilos, o limite é 3 quilos, mas as crianças costumam exagerar”, explica a especialista.

O resultado dessa prática é o risco de entorses pelo excesso de esforço dos músculos da coluna, além de dores, que podem ser causadas por alterações posturais. “A criança tende a levar o pescoço para frente e manter o tronco inclinado”, afirma.

Pesquisa publicada em 2012 pela Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício mostrou que 45% dos alunos da rede pública e privada de Santa Catarina carregavam peso acima do suportado.

A dra. Monica diz que, embora não exista no Brasil trabalho conclusivo da relação direta do peso com distúrbios de alinhamento da coluna, a percepção dos profissionais que atendem em consultório e ambulatório é de que as queixas de dor aumentam em crianças que carregam cargas acima do tolerado. 

A especialista ainda alerta para maus hábitos que comprometem a estrutura da coluna de crianças e causam dor. “Sentar curvado sobre a carteira escolar ou sentar na lombar, durante longos períodos, aumenta as chances de estruturação desses vícios posturais pelo tempo que o corpo se mantém na posição.”

Segundo a médica, na atualidade, as crianças ficam muito tempo sentadas ao usar jogos eletrônicos e computadores, o que não é normal para a idade.

Esse comportamento se tornou um fator importante à saúde, pois pode ter contribuído para o aumento da obesidade infantil e seus reflexos. Nesse caso, a volta às aulas é bem-vinda, porque estimula atitudes mais ativas e a prática de atividade física. 
 

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