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Ministério da Saúde quer proibir refil de refrigerante em fast-food

Caso o acordo com as redes não seja concretizado, o governo planeja enviar um projeto de lei ao Congresso

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13 JUN 2017Por Folhapress22h30

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, disse nesta terça-feira (13) que a pasta estuda um acordo para tentar retirar a oferta de refil de refrigerantes em redes fast-food.

Caso o acordo com as redes não seja concretizado, o governo planeja enviar um projeto de lei ao Congresso.

"Isso para nós é um problema muito grave a ser resolvido. Vamos manter a tentativa de um acordo voluntário, senão partiremos para uma ação restritiva", afirmou.

Segundo Barros, a estimativa é que o país tenha cerca de mil lojas de restaurantes fast-food que permitem que o cliente "recarregue" os copos de refrigerante. "Pesquisas mostram que aumenta 35% o consumo de refrigerantes se a pessoa compra refil", completa.

Ainda de acordo com o ministro, além da restrição ao refil, o governo estuda outras ações para deter o avanço da obesidade -caso de acordos para adoção de "dosadores" de sal e açúcar nas embalagens desses produtos e da proibição a saleiros na mesa de restaurantes.

"O saleiro já é proibido em alguns países e é um caminho que temos que avançar eventualmente", afirma Barros.

Menos sódio, mais longe da meta 

As propostas foram apresentadas em evento do Ministério da Saúde para divulgar os resultados da quarta etapa de um acordo firmado com a indústria para diminuir a quantidade de sódio nos alimentos industrializados.

Ao todo, já foram retirados 17 mil toneladas de sódio dos alimentos desde 2011, quando o acordo foi firmado. Apesar do avanço, os dados ainda ficam muito abaixo da meta, que prevê a retirada de 28,5 mil toneladas de sódio até 2020.

Isso significa que, em apenas três anos, o país ainda precisa retirar 11,5 mil toneladas de sal dos alimentos.

O presidente da Abia (Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação), Edmundo Klotz, admite que poderá haver dificuldades.

"Eu sei que será muito difícil [atingir] essas 11 mil. Em um primeiro momento, era apenas retirar. Em segundo momento, é preciso a substituição [por uso de sal com sódio reduzido, por exemplo]. E em um terceiro, a completa mudança de formulações."

A redução da quantidade de sódio, assim, pode "demorar mais" que nas etapas anteriores, diz. "Mas será feito", afirma.

Novo acordo

Diante do baixo resultado da quarta etapa, a pasta anunciou um novo acordo com a indústria para que haja nova redução no sódio de categorias de alimentos que já haviam sido avaliadas, como pães, massas e bisnaguinhas.

Ao contrário das etapas anteriores, porém, o novo acordo traz metas separadas por ano: nos pães de forma, por exemplo, a ideia é atingir o teor máximo de 450 g de sódio a cada 100 g em 2017, passando a 420 mg em 2018 e 400 mg em 2020. O prazo de duração do acordo, porém, foi estendido: em vez dos  três anos previstos inicialmente, passa a cinco anos.

"Não podemos descaracterizar produtos. Não esqueçam da expressão comida de hospital, que ninguém vai comer. É um trabalho muito grande para que possamos ter substitutos e ter alimentos mais saudáveis", afirma Cláudio Zanão, presidente da Associação das Indústrias de Biscoitos, Massas, Pães e Bolos Industrializados.

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