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Aquecimento global vai aumentar infestação de quatro doenças no Brasil

A pesquisa foi feita no Departamento de Parasitologia do Instituto Butantan durante o doutorado de Camila Lorenz, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de SP e da Faculdade de Saúde Pública da USP.

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04 MAR 2018Por Nilson Regalado19h30
Mosquito oropouche.Foto: Divulgação/Fundação Fiocruz.

O aumento da temperatura do Planeta, induzido pela emissão de gases de efeito estufa, deve ampliar, no Brasil, a área de distribuição de quatro vírus transmitidos por mosquitos: o Oropouche, o Mayaro, o Rocio e o vírus da encefalite de Saint Louis. A conclusão é de um estudo publicado na revista PLoS Neglected Tropícal Diseases. A pesquisa foi feita no Departamento de Parasitologia do Instituto Butantan durante o doutorado de Camila Lorenz, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de SP e da Faculdade de Saúde Pública da USP.

Sete fatores ambientais foram considerados na análise: precipitação anual (o quanto chove ao longo do ano na região em que ocorreu o surto), média de temperatura anual, altitude, sazonalidade da temperatura (variação entre os meses mais quentes e mais frios do ano), sazonalidade da precipitação (variação entre os meses mais chuvosos e os mais secos), amplitude térmica (variação da temperatura ao longo do mês) e variação diária da temperatura.

E os resultados sugerem que cada vírus é afetado de forma diferente pelas variáveis ambientais. No caso do Oropouche e do Mayaro, a média anual da temperatura e a amplitude térmica se mostraram mais ligados à ocorrência de surtos. Já para Saint Louis e Rocio a precipitação anual teve mais peso – quanto mais alta a média anual de chuva, maior o número de surtos.

A variável altitude teve mais influência apenas sobre a distribuição do vírus Rocio. Um grande surto desse patógeno foi registrado no Vale do Ribeira, região de baixa altitude, em 1975.

Na cidade de São Paulo, a área suscetível ao vírus Mayaro saltaria dos 4% atuais para 12% em 2050 e quase 20% em 2100 em um cenário de alta emissão de gases do efeito estufa. Em relação ao Rocio, o número passaria de aproximadamente 1% da área do município para 2,5% em 2050 e quase 4% em 2100, também no pior cenário climático.

Em Brasília, a área de risco para Mayaro passaria de 10% para 57%. Em Belo Horizonte, saltaria de 14,8% para 65% e, no Rio de Janeiro, de 21% para 55%. O maior aumento na área de distribuição do Rocio foi previsto para Porto Alegre. Atualmente, menos de 9% do município é considerado área de risco. Em 2100, no cenário de alta emissão, o índice chegaria a 57%. 

As quatro doenças apresentam significativo potencial de causar danos à saúde pública, mas são negligenciadas. Todas têm como principal sintoma a febre. Por serem facilmente confundidas com dengue ou malária, especialistas acreditam que a subnotificação seja grande. Não existem testes sorológicos para diagnóstico e os exames moleculares são caros.

O preço da  comida
A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) aponta que a agropecuária foi a maior causadora das mudanças climáticas e do aumento de consumo de recursos naturais, já que 30% das emissões globais de gases de efeito estufa e 70% de uso de água vêm do agronegócio.

Sabor do Brasil...
Uma tecnologia desenvolvida pela estatal Embrapa após dez anos de estudo vai permitir que o Brasil passe a exportar coco verde, in natura, para  Europa. O primeiro embarque acontecerá em junho e o destino será Portugal, que receberá 500 mil frutas neste primeiro carregamento.

...vai atravessar o Atlântico...
O filme desenvolvido pela Embrapa é comestível e pode prolongar em até quatro vezes a vida útil das frutas. No coco, são 40 dias sem alteração nas características nutricionais da polpa, da água, da cor ou do sabor. 

...com tecnologia inovadora
Em pleno inverno brasileiro, as frutas serão vendidas na Europa por um valor dez vezes superior ao mercado interno. Os cocos da variedade anão-verde serão colhidos no Vale do São Francisco. Segundo a FAO, o Brasil é o quarto maior produtor mundial de coco, com dois bilhões de unidades/ano.

Filosofia do campo:
“Vale mais a vida de um ser humano do que todo o ouro do homem mais rico do mundo”. Ernesto (Che) Guevara de la Serna (1928/1967), médico argentino.

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