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Prefeito eleito pretende retomar transbordo do Sambaiatuba

Pedro Gouvêa diz que vai trabalhar para que área do parque também volte a abrigar projetos sociais

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10 OUT 2016Por Vanessa Pimentel10h50
Reportagem esteve na área do Parque Sambaiatuba e cenário remete ao período em que o Lixão estava ativadoFoto: Matheus Tagé/DL

O cenário lembra o período em que o antigo Lixão era a grande ferida de São Vicente. Moscas se amontoam nas pessoas, cachorros surgem no meio do material acumulado, crianças vasculham os resíduos. O que já foi o Parque Ambiental Sambaiatuba, com projetos sociais voltados aos antigos catadores e espaço para lazer sumiu gradativamente nos últimos cinco anos. Nem mesmo o espaço utilizado pela Prefeitura para transferir o lixo e encaminhá-lo ao seu destino final se salvou.

Em entrevista ao Diário do Litoral, na última quinta-feira (6), o prefeito eleito Pedro Gouvêa (PMDB) disse que pretende viabilizar autorização para reativar a área de transbordo e retomar os programas existentes no local. 

“Vamos fazer com que a prefeitura consiga novamente a autorização para a área do transbordo, que hoje está interditada. Hoje existe um grande problema lá. Mas nós iremos revitalizar aquele espaço”, ¬afirmou Gouvêa. A área de transbordo localizada no interior do Parque Sambaiatuba está interditada desde janeiro de 2015, quando a Cetesb, órgão que fiscaliza o setor, constatou operações realizadas de forma inadequada. 

A importância do complexo ao município também foi destacada por Gouvêa. “Além das questões ambientais, envolve um trabalho com pessoas, com seres humanos que foram abandonados. A gente vai resgatar isso para devolver a cidadania das pessoas”, finalizou.

Lixão

O antigo lixão de Sambaiatuba foi desativado em 1º de abril de 2002. Desde então, tornou-se um parque ecológico com uma área destinada apenas para a baldeação, ou seja, os caminhões coletores despejam os resíduos para que os veículos basculantes possam levá-los ao destino final, localizado no Sítio das Neves, na área Continental de Santos. Sem esta opção, o caminhão responsável pela coleta urbana, faz também a viagem até o Sítio. Isto causa lentidão no processo e afeta os trabalhos de limpeza da cidade.

A operação de transbordo no Parque foi satisfatória até dezembro de 2010, quando foram constatadas as primeiras irregularidades, como acúmulo de lixo, odores fortes e formação de chorume. 

Os problemas tornaram-se constantes e a Prefeitura de São ­Vicente chegou a ser multada pela Cetesb. Na época, a administração alegou que o recolhimento do lixo pelos caminhões atrasou porque houve impasses com a empresa prestadora do serviço.

Abandono

Na última semana, a Reportagem esteve no Parque para verificar a situação do local. Desde que foi desativado, em abril de 2002, o lixão se transformou em uma área para convívio social, onde até meados de 2012 eram oferecidos cursos de informática, panificação, oficina de costura, entre outros.

Os catadores, que antes viviam das atividades do lixão foram ­inseridos no programa social desenvolvido pela Codesavi denominado “Caminhos para a Cidadania”, para integrarem a coleta seletiva do ­Município e trabalharem de forma autossustentável a frente da Cooperativa de Trabalho da Cidade Alta, a Coopercial, instalada dentro do parque.

O complexo, que chegou a ser premiado em 2008 pelo Governo Federal e pelas Nações Unidas, pelo sucesso com o projeto de inclusão social, hoje está abandonado.

As salas de aula onde eram ministrados os cursos profissionalizantes aos moradores da comunidade estão fechadas. A padaria que abrigava o projeto “Mão na Massa”, assim como os equipamentos da cozinha está sem uso.

A estrutura que acomodava a horta hidropônica quase não existe mais. O que restou está coberto pelo mato. O lugar já chegou a produzir 3.500 pés de alface por mês, que eram destinados a merenda escolar da rede municipal. 

Além da reciclagem, também havia uma usina de ­reutilização do óleo de cozinha e restos de coco da praia.

Cooperativa não recebe apoio da Prefeitura

Atualmente, o único serviço que continua funcionando dentro do Parque e de forma independente, são as atividades da Coopercial. A venda dos recicláveis para empresas cadastradas é o que gera a renda dos cooperados. Dos 220 funcionários que a unidade chegou a abrigar, hoje não mais que 40 continuam por lá.

“A cooperativa gera trabalho e renda, principalmente ao pessoal de mais idade que não consegue emprego”, desabafa Francisco Ribeiro Souza, de 43 anos. 

Em julho, ele assumiu a presidência da cooperativa e tenta junto aos cooperados manter as atividades. Mas, explica que sem o apoio da Codesavi e da Prefeitura, a situação se complica a cada dia.

Desde o fim do convênio com a Codesavi, em março deste ano, eles não recebem mais a verba mensal destinada ao pagamento dos funcionários e dos caminhões que faziam a coleta. No momento, há apenas um caminhão próprio trabalhando. O outro está quebrado e sem previsão de ­conserto.

Francisco explica que com a redução de materiais, consequentemente, o trabalho diminuiu e o número de pessoal também.

“O faturamento atual gira em torno de R$300 a 400 reais mensais para cada cooperado. Antes, chegava a R$1.100. O lugar tem capacidade para receber diariamente 10 toneladas de material reciclado, mas não chega nem a metade”, explica ele.

A Prefeitura de São Vicente, por meio da Secretaria de Assistência Social (Seas), informou que atualmente não há trabalho específico com os catadores.

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