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Especialista alerta sobre riscos das pílulas anticoncepcionais

Uso dos métodos requer acompanhamento médico e conhecimento do histórico de saúde da paciente

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17 OUT 2016Por Mayara Sampaio11h15
O anticoncepcional hormonal pode contribuir na prevenção e controle de doenças, de acordo com a ginecologistaFoto: Rodrigo Montaldi/DL

Um caso de trombose cerebral relacionado ao uso de pílula anticoncepcional que chegou a ser compartilhado nas redes sociais há pouco mais de um mês lançou um holofote à discussão sobre os riscos do uso de métodos contraceptivos hormonais.

A estudante J.B., de 22 anos, acordou um dia sem conseguir se mover e passou 15 dias internada, após fortes dores de cabeça. Em seu depoimento compartilhado na internet, a jovem conta que, em três anos fazendo uso de um contraceptivo oral, nunca foi alertada sobre esse tipo de risco. “Não tenho histórico familiar, não sou fumante, e os exames de sangue estavam normais. Não tinha predisposição a ter trombose”, relatou a estudante.

Mas, assim como qualquer medicamento, os anticoncepcionais hormonais trazem riscos em seu uso. De acordo com a ginecologista Paula Cavalcante Carturan, efeitos colaterais tais como náuseas, vômitos, dor de cabeça, ganho de peso, cloasma (mancha escura na face), mudança de humor e diminuição do desejo sexual estão entre as principais queixas. 

“Quando uma mulher procura orientação médica porque deseja iniciar o uso de algum contraceptivo, devemos informar a ela quais as opções disponíveis, quais os riscos, os benefícios e baseado no desejo de cada mulher”, explica a especialista. 

A médica alerta ainda para a questão do bom senso das pessoas que leem e compartilham postagens sobre saúde nas redes sociais. “Qualquer pessoa, capacitada ou não, pode colocar informações na rede, que nem sempre correspondem à realidade ou têm embasamento científico. É preciso ter cuidado”.

Paula ressalta que o anticoncepcional hormonal é um ótimo aliado no controle de doenças e traz consigo benefícios como prevenção da gravidez indesejada, regularização do fluxo menstrual, diminuição das cólicas, melhora na acne e diminuição do risco de alguns cânceres, como, por exemplo, o de ovário.

“Todas as mulheres que desejam começar a usar anticoncepcional devem passar por uma avaliação médica criteriosa na qual o profissional avaliará a história pessoal e familiar desta mulher, discutirá com a mesma as opções de contracepção, os riscos e benefícios de cada um destes métodos e realizará um exame físico detalhado incluindo medida de pressão arterial, exame das mamas, exame pélvico e para prevenção de câncer de colo de útero”, reitera.

Experiência

Motivada a atenuar as dores causadas pela cólica menstrual, a técnica de enfermagem Evely Souza, de 25 anos, começou a utilizar pílulas anticoncepcionais em 2010. Por indicação de seu ginecologista, ela buscava também controlar o fluxo de menstruação, que a incomodava. “Meu médico fez algumas perguntas como se tinha diabetes, pressão alta ou algum outro histórico negativo na família. Até então, tudo certo”, conta.

De primeiro momento, a jovem não precisou se preocupar mais com as cólicas. Porém, nos meses seguintes, Evely notou um aumento de peso e outros incômodos. “Tive dores no seios, de cabeça, sofri alterações no humor e muito inchaço, devido à retenção de líquidos”, explica a técnica, que após oito meses de uso dos medicamentos, desistiu de usá-los. 

“Para mim, as contraindicações faziam com que os medicamentos não valessem a pena. Ainda mais depois da repercussão que o caso de trombose teve nas redes, que me deixou alerta”, afirma a técnica.

Já a representante comercial Mariana Rossi, de 23 anos, faz uso de pílulas desde os quinze por conta de um diagnóstico de síndrome dos ovários policístico. O distúrbio, que interfere no processo normal de ovulação em virtude de desequilíbrio hormonal, leva à formação de cistos.

Logo que começou a fazer uso dos anticoncepcionais, Mariana também sentiu os efeitos negativos do medicamento, como aumento de peso e crises de enxaqueca. Atualmente, após testar diferentes marcas com a orientação de sua ginecologista, a jovem usa uma versão de efeito mais moderado e de uso contínuo. “Quando encontrei o anticoncepcional que se adequou ao meu organismo, me senti realizada. Passei a usá-lo assim que tive meu filho, pois ele é permitido durante a amamentação”, explica a representante comercial. 

Para ela, o compartilhamento de assuntos de saúde nas redes sociais pode ser benéfico para que a população se mantenha informada e atenta às questões que possam ser prevenidas. “Sempre busco notícias com uma base científica ou com a opinião de um especialista. Sei que automedicação pode acarretar consequências graves”.

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