Santos

Ação integrada de cirurgias de catarata devolve visão aos primeiros pacientes

Beneficiados revelam a alegria de voltar a fazer coisas simples do dia a dia

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01 FEV 2018Por Da Reportagem15h41
Unidade móvel de oftalmologia, instalada no Hospital Municipal Irmã DulceFoto: Divulgação/PMPG

A aposentada Luiza Maria da Silva está eufórica por não precisar mais de ajuda para tarefas simples como caminhar ou fazer alguns serviços domésticos. Ela foi a primeira paciente a ser submetida ao mutirão de cirurgia de catarata na segunda-feira (29/1), na unidade móvel de oftalmologia, instalada no Hospital Municipal Irmã Dulce. A iniciativa, toda custeada pelo Governo Municipal, pode beneficiar até 2 mil pessoas de Praia Grande.

Em uma fila há mais de dois anos, na lista do Governo do Estado, que não sinalizava previsão para a realização do procedimento, Dona Luiza corria o risco de ficar completamente cega. Por ter perdido a visão em um dos olhos por um problema de glaucoma, o segundo olho só lhe permitia ver vultos. “Nem podia ir mais à igreja como eu gostava de fazer porque era arriscado. Agora estou feliz porque vou poder fazer muitas coisas”, disse a aposentada.

Admitindo ter estado tensa por pensar que seria submetida a algo complexo, ao caminhar já sem ajuda pelo corredor do hospital, Dona Luiza se disse surpresa com o resultado. “Achei que sentiria dor, que teria sangue, agulha, tampão, que nada. Não precisou nada disso, não senti dor alguma”, revelou.

Para mudar a vida destas pessoas são necessários 15 minutos, segundo o cirurgião oftalmológico, Dr. André Luiz Ribeiro, responsável pela unidade móvel de oftalmologia. “O paciente já sai enxergando melhor, mas a recuperação total acontece em até uma semana”, assegura.

Antes de serem encaminhados ao centro cirúrgico, os pacientes são orientados pela assistente social Edinamar Oliveira, que faz as recomendações sobre os cuidados necessários pós-cirurgia. “Temos equipamentos de última geração e profissionais muito qualificados para os procedimentos. Mas os cuidados posteriores são responsáveis por 50% do tratamento, para que o paciente tenha uma recuperação satisfatória”, salientou.

Todos os pacientes têm garantidos o colírio especial e óculos de proteção a todos, para uso na recuperação.

O porteiro desempregado Francisco Wilson Felix também espera há dois anos para se livrar da catarata nos dois olhos. Próximo da fila, ele comentou estar cheio de esperança em poder enxergar bem novamente e assim conseguir voltar ao mercado de trabalho. “Agora, espero ter uma colocação na minha área e voltar a viver normalmente”, disse.

De acordo com o Diretor Geral do Complexo Hospitalar Irmã Dulce, Dr. Ricardo Carajeleascow, o centro cirúrgico oftalmológico tem capacidade para realizar até 100 cirurgias por dia. “O número diário a ser feito depende dos órgãos regulatórios da fila e do estado de saúde do paciente. Além de devolver a visão as estas pessoas, com este gesto o prefeito Alberto Mourão restitui a dignidade e a alegria de viver a cada uma delas”, considerou.

A carreta possui dois consultórios médicos, três centros cirúrgicos, sala de exames oftalmológicos e recepção, além de uma plataforma de acessibilidade (elevador).

Leitos - Conforme o secretário de Saúde Pública, Cleber Suckow Nogueira, uma importante vantagem da iniciativa é a não ocupação dos leitos do hospital para a realização das cirurgias. “Com essa unidade móvel, não vamos ocupar um único leito sequer. Todos os procedimentos serão realizados na unidade, o que não altera em nada a rotina do hospital, que já é bastante pesada”, destacou.

Ao anunciar o serviço, dia 19/1, o prefeito de Praia Grande, Alberto Mourão anunciou outras conquistas para a Cidade na área da saúde como a aquisição de 43 aparelhos hospitalares, sendo 14 cardioversores (desfibriladores), dois aparelhos de anestesia, 14 monitores multiparâmetro, três conjuntos de laringoscópio e 10 aparelhos de fototerapia. “Os equipamentos somam mais de R$ 889 mil e são provenientes de emendas parlamentares, inclusive do próprio prefeito de Praia Grande quando era deputado federal”, sublinhou o secretário de Saúde Pública.

Impaciente em relação ao impasse na obtenção de recursos para realização de cirurgias eletivas por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), o prefeito, que também preside o Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista (Condesb), destacou, ainda, o início da Ação Integrada de Cirurgias Eletivas. “Vamos zerar a fila de espera atual com a realização de, ao menos, 1.700 procedimentos”, afirmou Mourão, na ocasião.

Serão contempladas todas as especialidades médicas, inclusive as mais requisitadas como cirurgias de hérnias em geral, seguidas por cirurgia plástica, de colelitíase, cirurgias infantis, ginecologia cirúrgica, vascular, otorrino, cirurgia geral, vasectomia, cirurgia urológica e laqueadura.

Todos os procedimentos serão realizados no Complexo Hospitalar Irmã Dulce, gerenciado pela Fundação ABC (FUABC) e que receberá aporte de aproximadamente R$ 2,5 milhões para as cirurgias eletivas. “O SUS nos disponibiliza apenas R$ 350 mil. Acabamos assumindo esta responsabilidade porque que não dá mais para aguardar uma solução dos governos Estadual e Federal”, pontuou o prefeito.

As ações fazem parte das metas do Plano Municipal de Saúde Pública 2018-2021, que prevê as principais prioridades na área nos próximos anos.

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