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Sem explicar conta, Doria aponta custo de R$ 450 mi em tarifa congelada

A medida no município deixará o governador arcar sozinho com o custo político de aumentar a passagem do metrô e do trem em véspera de ano eleitoral

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07 OUT 2016Por Folhapress17h00
João Doria (PSDB) afirmou que manterá o congelamento da tarifa de ônibus em 2017 e estimou o custo da medida em R$ 450 milhõesFoto: Divulgação

O prefeito eleito de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou à reportagem que manterá o congelamento da tarifa de ônibus em 2017 e estimou o custo da medida em R$ 450 milhões, sem detalhar o cálculo.

"A decisão está tomada, não vai mudar", disse o tucano já na garagem da Prefeitura de São Paulo, instantes após a primeira reunião de transição com o prefeito Fernando Haddad (PT), que durou mais de duas horas, na manhã desta sexta-feira (7).

Estava prevista uma entrevista dos dois juntos, mas foi cancelada. Na saída, Doria apenas disse que o encontro foi produtivo e elogiou o petista.

O anúncio de Doria sobre o congelamento da tarifa de ônibus, cujo custo foi estimado em R$ 1 bilhão, foi objeto de críticas no entorno do governador Geraldo Alckmin (PSDB), padrinho político do prefeito eleito.

A medida no município deixará o governador arcar sozinho com o custo político de aumentar a passagem do metrô e do trem em véspera de ano eleitoral.

"Nosso objetivo é de forma tranquila, republicana, como cabe a uma transição numa cidade da dimensão de São Paulo. O prefeito foi muito positivo, portas abertas para todas as áreas da prefeitura", declarou Doria.

"Faremos uma transição muito boa, até histórica, pelo bom sentimento do prefeito Fernando Haddad e o nosso também. A transição começa agora com os grupos de trabalho, dentro de uma cronologia que vai até dezembro."

Prejuízo de R$ 1 bilhão

O congelamento da tarifa dos ônibus deverá provocar um custo adicional ao caixa da prefeitura de R$ 1 bilhão, valor suficiente para construir 30 km de corredores exclusivos para coletivos. O cálculo foi feito por técnicos municipais e se deve à evolução dos custos do serviço de ônibus no ano que vem, que, pela proposta orçamentária enviada pela gestão Fernando Haddad (PT) à Câmara Municipal, deveria ser coberta pelo reajuste da tarifa.

Sem aumento da passagem, uma fatia maior dos gastos do sistema de transporte tende a ser bancada pelo dinheiro dos cofres municipais -subsídio que é repassado às viações de ônibus para cobrir a diferença entre aquilo que os passageiros pagam e os custos reais do serviço.

A prefeitura arrecada hoje perto de R$ 4,9 bilhões por ano com a tarifa, mas a quantia repassada às empresas pelo serviço prestado ultrapassa R$ 7 bilhões -porque independe do valor da passagem cobrada dos usuários, conforme as regras contratuais.

Se em 2016 essa diferença coberta com subsídios será de pouco mais de R$ 2 bilhões, em 2017, sem atualização da tarifa de ônibus, ela pode ultrapassar R$ 3 bilhões.

Esse gasto extra é suficiente para construir os corredores Itaim-São Mateus (zona leste), que inclui um terminal de ônibus, e Bandeirantes-Salim Farah Maluf (zona sul), que, juntos, somam 32 km por cerca de R$ 1,1 bilhão.

Transição paulistana

O prefeito Fernando Haddad (PT) afirmou que a transição será feita em duas etapas. A primeira será até o final do mês, em que todos os secretários foram convocados a entregar um relatório de gestão, com possível continuidade para o próximo período.

Segundo ele, Doria afirmou já possuir representantes para as 27 áreas da prefeitura. A partir de novembro, com as informações repassadas a essa equipe, começam as providências para  a transição.

Algumas atividades já serão feitas em conjunto entre a equipe de Haddad e Doria, como a prevenção a enchentes durante as chuvas de fim de ano. "Vamos agir da maior maneira possível, com todo empenho, para que não haja [problema de] continuidade em todas as áreas", disse Haddad.

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