Salários da Câmara de Santos sobem de forma desproporcional

Alguns salários são para familiares de vereadores, ex-parlamentares e funcionários da Prefeitura

Qual santista não gostaria de entrar no emprego ganhando cerca de R$ 3 mil e, em 35 anos de trabalho, ter um vencimento bruto de quase R$ 52 mil – uma evolução salarial de quase R$ 1.500,00 por ano trabalhado? Pois é essa realidade da Câmara de Vereadores de Santos, onde a remuneração de muitos servidores é compatível a de altos executivos de grandes empresas multinacionais.

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O Diário do Litoral se baseou em uma lista encaminhada no início do ano à Redação. Portanto, os salários exemplificados a seguir já estão com pequenos reajustes.

Qualquer cidadão pode checar a informação no Portal da Transparência da Casa, no entanto, precisa ter o nome completo do servidor, pois o portal tem transparência limitada.    

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Um técnico legislativo, por exemplo, tem salário base de R$ 2.179,59 por 44 horas semanais, mas recebe mais de R$ 30 mil (bruto) e R$ 14 mil líquido. Um assessor técnico entrou ganhando R$ 2.791,71, mas atualmente recebe mais de R$ 29 mil (bruto), sendo mais de R$ 18 mil líquido. Outro ganha um pouco mais – R$ 31 mil (bruto).

Outro exemplo da forma incomum que sobe os salários dos servidores do Legislativo santista está no caso de uma recepcionista. O salário base dela é R$ 1.394,57 – considerado normal para a função em uma empresa particular. No entanto, na Câmara de Santos, ela ganha R$ 14.270,34 (bruto) e R$ 9.546,53 (líquido).

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Um atendente que também em uma empresa privada estaria recebendo pouco mais de um salário mínimo (R$ 880,00), recebe salário bruto de R$ 16.175,14 (bruto) e R$ 10.422,75 (líquido). Outro caso: um revisor cuja salário base é R$ 2.791,71 e ele ganha mais de 23 mil bruto e mais de R$ 14 mil líquido.

Nepotismo

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Mas se a questão salarial é causa estranheza, pior é a quantidade de servidores que têm ligações de parentesco com vereadores, ex-vereadores e funcionários da Prefeitura, muitos comissionados com altos salários. Há primos, cunhados, genro, irmão e irmã aposentada, entre outros exemplos de familiares citados.

Não responde

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Vale a pena ressaltar que o Diário do Litoral, em 27 de janeiro, solicitou uma série de informações específicas à Assessoria de Imprensa da Câmara sobre os salários. Como resposta, obteve que deveria recorrer ao link do portal que geraria um protocolo e um prazo para a resposta.  

Os questionamentos foram os seguintes: quantos funcionários recebem mais do que o prefeito; quem são, quais os cargos e remuneração de cada um; porque recebem e quais os abonos que permitiam remuneração tão alta. Também pediu informações sobre uma aposentada que, segundo informações, o benefício superaria a casa dos R$ 40 mil.

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O pedido recebeu protocolo  00001.000003/2016-13 e o prazo de resposta informado foi 23 de fevereiro último. Até hoje, nenhuma resposta foi encaminhada à Reportagem.

Presente de Natal

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Também em janeiro, O Diário do Litoral publicou que 40 servidores da Câmara de Santos estavam recebendo 1/3 de seus salários de gratificação por serviços extraordinários prestados ao Legislativo.

As portarias foram publicadas no Diário Oficial de Santos no apagar das luzes de 2015. A remuneração segue com ou sem os serviços pois, segundo a Câmara, visam compensar riscos ou ônus da jornada de trabalho e das funções habituais.

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Em média, são R$ 778,00 para cada servidor, perfazendo uma despesa de R$ 41 mil mensais na folha da Casa. A decisão, baseada no processo 2019/15, foi da Mesa Diretora da Casa.

Vale lembrar que ano passado a Câmara devolveu R$ 19 milhões ao Executivo.

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Segundo a Assessoria da Câmara, os servidores são de carreira. Eles estão disponíveis em qualquer horário, período ou dia da semana para realizar os serviços, visto que a Câmara não paga hora extra aos seus servidores.

O benefício se estende mesmo no recesso, pois os departamentos funcionam normalmente sendo constantemente recorrentes as atividades além da jornada de trabalho e das funções habituais dos servidores.

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Câmara paulistana realiza estudo

Enquanto a Câmara de Santos mantém há anos salários bem acima da média sem qualquer proposta de revisão na situação, na última terça-feira (12), o presidente da Câmara de São Paulo, vereador Antonio Donato (PT), determinou a realização de um estudo interno para reavaliar o pagamento de salários acima do teto municipal a funcionários da Casa Paulistana. São 129 servidores que atualmente recebem mais de R$ 24,1 mil, rendimento mensal do prefeito Fernando Haddad (PT).

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A decisão foi tomada após reportagem de O Estado de S. Paulo mostrar que o número de servidores da Câmara que recebem supersalários cresceu 67% em menos de três anos. O estudo será conduzido por procuradores legislativos – grupo de funcionários no qual 16 deles recebem acima do teto municipal.

Donato comunicou o pedido aos líderes de bancada durante reunião semanal dos partidos. O assunto foi colocado em pauta pelo vereador José Police Neto (PSD), que, quando era presidente da Casa, havia cortado pagamentos acima do salário do prefeito.

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A bancada do PSD, em nota, afirmou que a Câmara, com a Decisão de Mesa 1.398/12, ainda da gestão Police, estabelecia “um teto compatível com as normas constitucionais”. A gestão seguinte, porém, de José Américo (PT), revogou o ato e voltou a pagar os supersalários.

Supremo

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Há um acórdão publicado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no sábado passado. Os ministros da Corte decidiram em 18 de novembro do ano passado que apenas verbas indenizatórias pagas a servidores podem superar o teto. A medida se aplica também aos servidores contratados mesmo antes da Emenda à Constituição 41, de 2003.

Na Câmara de São Paulo, boa parte dos funcionários com supersalários tem abonos de permanência e extras por gratificação. O mesmo acorre há anos na Câmara de Santos, onde boa parte dos salários superam o subsídio do próprio prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), por volta de R$ 20,9 mil (bruto).