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Relator da CCJ pede desfiliação do PMDB após suspensão por votar contra Temer

Zveiter afirma ter sofrido represálias após a divulgação de sua posição na comissão, em relatório que foi derrotado pelos governistas

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12 AGO 2017Por Folhapress00h30
Sérgio Zveiter (PMDB-RJ) apresentou nesta sexta (11) pedido de desfiliação do partidoFoto: Cleia Viana / Câmara dos Deputados

Relator do parecer que pedia a admissibilidade da denúncia contra o presidente Michel Temer na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara, o deputado Sérgio Zveiter (PMDB-RJ) apresentou nesta sexta (11) pedido de desfiliação do partido.

Correligionário de Temer, ele e mais cinco parlamentares foram suspensos das atividades partidárias por 60 dias pela cúpula partidária nesta quinta (10), por votar a favor da peça do Ministério Público Federal, que acusa o presidente de corrupção passiva.

Em seu pedido de desfiliação, Zveiter afirma ter sofrido represálias após a divulgação de sua posição na comissão, em relatório que foi derrotado pelos governistas. O parlamentar criticou o fechamento de questão do partido a favor de Temer. "Causa maior espanto o autoritarismo com que esse posicionamento foi adotado, essa postura abusiva, como se a Câmara e seus deputados estivessem subjugados a outro poder", afirma o texto.

"Não vejo autoridade moral nem na executiva do partido nem no líder Baleia Rossi [SP] para aceitar punição vinda deles", afirmou Zveiter nesta sexta à reportagem. Antes da apresentação de seu parecer, o deputado havia dito não temer retaliação do Planalto.

Por não ter cargo partidário, a suspensão das atividades no PMDB não afetou Zveiter imediatamente, mas o parlamentar ainda poderia ser suspenso das comissões das quais é membro, como a CCJ e a Comissão de Ciência e Tecnologia, em que é suplente.

Ele já havia sido retirado da vice-liderança do partido na Câmara e da coordenação da CCJ após a apresentação do parecer contrário ao presidente. "Não recebi com surpresa [a suspensão], mas achei ridícula e covarde", disse.

Zveiter afirmou ter consultado um advogado antes de apresentar o pedido de desfiliação para evitar a possibilidade de perda de mandato, já que sai do PMDB fora da janela de troca partidária. Eleito pelo PSD em 2014, ele havia se filiado ao PMDB na última janela, em março de 2014.

"Não tem esse risco até por causa da natureza do meu pedido de desfiliação, que é por perseguição", disse. O parlamentar, que é próximo do grupo político do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou ainda não ter escolhido um novo partido.

Suspensões

Além de Zveiter, foram suspensos do partido os deputados Veneziano Vital do Rêgo (PB), Celso Pansera (RJ), Laura Carneiro (RJ), Jarbas Vasconcelos (PE) e Vitor Valim (PMDB).

Nos bastidores, antes da votação da denúncia em plenário, integrantes do partido avaliam que o posicionamento dos membros da bancada fluminense se deve à vontade que eles têm de deixar a sigla diante do desgaste do PMDB no Rio de Janeiro. A ele pertencem quadros como o ex-deputado Eduardo Cunha e o ex-governador Sérgio Cabral, ambos presos.

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