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PSDB deve votar a favor da denúncia; relator diz que não soube de orientação

A bancada tucana se reuniu nesta manhã para combinar uma orientação favorável à aceitação da denúncia

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02 AGO 2017Por Folhapress13h28
O ministro tucano Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo) desconversou ao ser questionado sobre a orientação do líder do PSDB, Ricardo Tripoli (SP), de votar a favor da denúncia contra Michel TemerFoto: José Cruz/Agência Brasil

O PSDB deve orientar os deputados do partido a votarem a favor da aceitação da denúncia contra o presidente Michel Temer. O partido mantém quatro ministérios no governo.

Isso significa que a bancada será orientada a votar contra o relatório produzido por um tucano, Paulo Abi-Ackel (MG), que pede a rejeição da denúncia contra o presidente.

Abi-Ackel disse à reportagem que não soube de "orientação nenhuma" do PSDB para que os deputados do partido votassem em sentido contrário ao seu parecer.

Ele repetiu que não vê elementos necessários na denúncia para que o presidente possa virar réu e seja afastado do cargo.

O ministro tucano Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo) desconversou ao ser questionado sobre a orientação do líder do PSDB, Ricardo Tripoli (SP), de votar a favor da denúncia contra Michel Temer.

"Não sei, não sei", respondeu. Indagado se seguiria a orientação do líder, sorriu e saiu.

A bancada tucana se reuniu nesta manhã para combinar uma orientação favorável à aceitação da denúncia.

A maioria dos parlamentares tucanos já declarou que votará a favor da denúncia. Segundo enquete da Folha de S.Paulo, 24 dos 46 deputados do partido afirmaram publicamente que votarão contra Temer.

Segundo parlamentares, os placar final deve girar em torno de 30 votos favoráveis à denúncia e 16 contrários.

MAL ESTAR

Tucanos ouvidos pela reportagem afirmam que a decisão de orientar a bancada a votar favoravelmente à aceitação da denúncia contra Michel Temer se deu como resposta à decisão do deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG) de produzir parecer contrário à continuidade das investigações na CCJ.

Segundo os parlamentares, Abi-Ackel não teria comunicado o líder do partido, Ricardo Trípoli (PSDB-SP), ou a bancada -em sua maioria favorável à denúncia- que seria o relator do parecer alternativo pró-Temer.

A decisão teria causado "mal-estar" na bancada, que na CCJ preferiu liberar os parlamentares e não orientar voto. Na comissão, o placar tucano foi de cinco votos pela continuidade das investigações e dois pela rejeição da denúncia.

'TIRO NO PÉ'

Questionado sobre a decisão da liderança tucana na Câmara de orientar deputados a votarem pela aceitação da denúncia contra Temer, o deputado Domingos Sávio (PSDB-MG) disse que a informação "pega a bancada de surpresa".

"Não reflete sentimento de uma maioria aferida. Isso é liderança de partido nanico que não respeita a democracia interna. É tiro no pé se o líder fizer isso. É desastroso", afirmou.

EM CIMA DO MURO

O deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) ironizou o posicionamento do PSDB em relação à denúncia contra o presidente Michel Temer.

"O PSDB fechou questão para ficar em cima do muro. Quem sair vai ser expulso", brincou.

Apesar de ser o segundo maior partido da base de Temer e ter quatro ministérios, o PSDB vai orientar a bancada a votar a favor da continuidade do processo que pode converter Temer em réu.

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