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Para Tasso, movimento de desembarque é 'crescente' no PSDB

'A posição do partido é cada vez mais clara. Não dá para controlar, as coisas vão acontecendo', disse

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06 JUL 2017Por Folhapress00h30
Tasso e outros senadores foram incisivos para que o partido deixe o governoFoto: Agência Brasil

O presidente interino do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), disse nesta quarta-feira (5) que é crescente o movimento de "desembarque" da sigla do governo de Michel Temer. "A posição do partido é cada vez mais clara. Não dá para controlar, as coisas vão acontecendo", disse.

Para o tucano, um dos principais defensores de que sejam devolvidos cargos e ministérios ao Palácio do Planalto, a tendência de saída do governo é crescente. "O posicionamento é por desembarque, não de oposição ao governo", afirmou.

Para exemplificar os "fatos" que demonstram essa movimentação, Tasso cita a análise da denúncia contra Temer na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara. Ele diz que o PSDB não controla a forma como seus deputados vão se posicionar sobre o caso. "A grande maioria já está se posicionando", comenta.

O STF (Supremo Tribunal Federal) só poderá analisar a denúncia apresentada pela PGR (Procuradoria-Geral da República) contra Temer, que o acusa de ter cometido crime de corrupção passiva, se houver uma autorização prévia da Câmara dos Deputados. O caso será analisado pela CCJ da Casa e, posteriormente, pelo plenário, onde são necessários 342 votos para que o processo tenha sequência.

Pela contagem dos tucanos, a bancada da Câmara tem maioria pró-recebimento da denúncia: entre 5 ou 6 votos, enquanto apenas um ou dois deputados do partido pretende votar de forma contrária.

De acordo com outros senadores do PSDB ouvidos pela Folha, a bancada do partido no Senado também já tem uma maioria pró-desembarque. Esse movimento foi notado em reunião na terça (4), dia em que o senador Aécio Neves (MG) voltou às atividades parlamentares com autorização do STF, após 46 dias afastado.

Nas conversas, Tasso e outros senadores foram incisivos para que o partido deixe o governo. Apenas o líder do PSDB no Senado, Paulo Bauer (SC), defendeu a permanência. De acordo com os presentes, Aécio falou apenas em "unidade" do partido. Tasso, que avalia que Aécio não demonstra vontade de desembarque, pondera, contudo, que ele terá de orientar os tucanos. "Unidade é uma coisa, unanimidade é impossível", disse.

Na visão de tucanos ouvidos pela Folha, embora sempre tenha defendido o apoio a Temer, a visão de Aécio em relação ao Palácio do Planalto pode ser revista em agosto, depois que o governo já tiver concluído a tramitação da reforma trabalhista no Senado, projeto caro ao PSDB.

Presidência

Tasso afirmou ainda que o partido deve ter uma posição "definitiva" sobre a presidência até o fim da semana. Ele assumiu interinamente o comando do PSDB em maio. Após decisão do STF afastá-lo do mandato de senador, Aécio decidiu se licenciar do cargo de presidente da sigla.

Com a volta de Aécio às atividades políticas, após decisão do STF da última sexta-feira (30), o comando do PSDB terá de ser redefinido.

"A decisão será dele porque é ele que tem o mandato", disse Tasso. "Até o fim da semana isso deve ser decidido, ele já terá organizado a casa", disse.

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