Santos

Nanico, PSL de Bolsonaro lança candidato a governador em metade do país

Caso a sigla confirme os 13 candidatos até o dia 15 -prazo final para registro das chapas na Justiça Eleitoral-, ela deve se igualar ou superar pesos-pesados da política nacional

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09 AGO 2018Por Folhapress17h41
Um dos menores partidos do país, com apenas 8 dos 594 congressistas, o PSL de Jair Bolsonaro lançou candidato a governador em metade dos estados brasileirosFoto: Divulgação/Fotos Públicas

Um dos menores partidos do país, com apenas 8 dos 594 congressistas, o PSL de Jair Bolsonaro lançou candidato a governador em metade dos estados brasileiros.

Caso a sigla confirme os 13 candidatos até o dia 15 -prazo final para registro das chapas na Justiça Eleitoral-, ela deve se igualar ou superar pesos-pesados da política nacional, como o MDB de Michel Temer e o PSDB de Geraldo Alckmin, com 13 e 12 postulantes a governos estaduais, cada um.

Isso também representará um salto em relação a 2014, quando o PSL disputou apenas um governo estadual, o do Rio Grande do Norte, acabando em último lugar -o advogado Araken Farias recebeu pouco mais de 13 mil votos (0,9%).

Os partidos encerraram no domingo (5) o período de convenções, mas isso não significa que o quadro de candidatos esteja consolidado. Pode haver recuos até o dia 15, além de alguns deles correrem o risco de serem barrados pela Justiça Eleitoral.

A expressiva lista de candidatos do PSL, que contrasta com o seu tamanho, tem como causa, naturalmente, o ingresso de Bolsonaro na sigla.

Por um lado, o lançamento de candidaturas é estimulado pela atual força eleitoral do capitão reformado do Exército, que lidera as pesquisas de intenção de voto nos cenários sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Por outro, o isolamento de Bolsonaro, que só conseguiu aliança com outro partido nanico, o PRTB, exige que haja mais candidatos próprios nos estados que possam lhe dar palanque.

Um dos principais aliados de Bolsonaro, o deputado Major Olímpio (PSL-SP) disse que a ampliação do número de candidatos a governador não faz parte de uma estratégia para promover o presidenciável.

"Esse impulsionamento de candidaturas foi porque tivemos muitas filiações e vários estados passaram a ter opções competitivas", disse.

Para Olímpio, apesar de cada candidato regional ajudar a promover o nome de Bolsonaro, esse não será um fator determinante na eleição.

"O maior palanque do Bolsonaro é a própria figura dele. Não é o fato de ter ou não candidatura a governador que trará maior sucesso ou não", afirmou.

Dos 13 candidatos do PSL, contudo, apenas dois conseguiram firmar palanques mais amplos e entrar na disputa com candidaturas competitivas.

Em Roraima, Antonio Denarium será candidato em chapa com oito partidos. Já no Espírito Santo, Carlos Manato (PSL) firmou aliança com o senador Magno Malta (PR), considerado favorito na disputa pelo Senado.

Nos demais estados, apesar da falta de aliados, os candidatos se dizem otimistas e acham que podem ser impulsionados pela popularidade de Bolsonaro.

"Bolsonaro tem um exército para defender ele e isso vai se refletir nos estados. Vamos estar no segundo turno", afirma João Tarantella, candidato a governador de Sergipe pelo PSL.

Candidato ao Senado em Santa Catarina, Lucas Evangelista (PSL) diz que, em quatro meses, montou diretórios do partido em 150 municípios do estado. E diz que o partido vai forte para as urnas: "Representamos a mudança".

Em sua primeira eleição nacional, a Rede, de Marina Silva, também é uma sigla nanica que terá candidatos ao governo em quase metade dos estados. Em sua maioria, são concorrentes que correm por fora na disputa local e que terão a função de abrir palanque para a presidenciável, como Rogerio Portanova (SC) e Célia Sacramento (BA). 

Um dos nomes considerados competitivos é o do juiz aposentado Márlon Reis (TO) um dos idealizadores da Lei da Ficha Limpa.

A Folha identificou pelo menos 186 candidatos a governo nos estados, leve crescimento em relação a 2014, quando foram 176.

A comparação dos dados entre uma eleição e outra mostra que neste ano haverá uma maior leva de concorrentes que representam siglas de direita, como o PSL e o Novo.

O fenômeno segue tendência verificada desde os protestos de rua de junho de 2013, que deram força a movimentos identificados com a direita e que integraram as forças pró-impeachment de Dilma Rousseff.

Em relação às grandes siglas, PT e PSDB devem lançar um número similar de candidatos nas disputas estaduais. Já o MDB de Temer caiu de 18 para 12.

Sem a força que dispunha em eleições presidenciais anteriores, o PT tenta abrir espaço na disputa nacional com candidatos a governador em 14 estados e no DF. Além de quatro governadores que buscam a reeleição, há veteranos que entram na campanha sem estar entre os favoritos e com coligações enxutas, como Doutor Rosinha (PR), Décio Lima (SC) e Luiz Marinho (SP).

O DEM, que em 2014 ainda não havia conseguido se reerguer do declínio verificado nos anos anteriores, recuperou parte da força política nos anos seguintes, principalmente após o impeachment de Dilma e a vitória de Rodrigo Maia (DEM-RJ) para a presidência da Câmara.

Isso se reflete nos números: em 2014 a sigla disputou em dois estados, perdendo em ambos. Agora, lançou oito candidatos a governador.

Quem são os candidatos do PSL aos governos

AC Coronel Ulysses
AL Josan Leite
AP Cirilo Fernandes
CE Hélio Góis
ES Carlos Manato
MA Maura Jorge
PI Fábio Sérvio
PR Ogier Buchi
RO Marcos Rocha
RR Antonio Denarium
SC Carlos Moisés
SE João Tarantella
TO César Simoni

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