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Joaquim Barbosa defende diminuição do papel do Estado na economia

Para Barbosa, falta no país uma cultura empresarial menos voltada a altas margens de lucros, muitas vezes permitidas pelo próprio governo

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10 ABR 2017Por Folhapress13h30
Joaquim Barbosa criticou o estado atual do capitalismo brasileiroFoto: Agência Brasil

O ex-ministro e ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Joaquim Barbosa criticou o estado atual do capitalismo brasileiro, no qual algumas empresas buscam "o sucesso empresarial mediante uso de práticas ilícitas, como entorses ao princípio da concorrência e corrupção de agentes públicos".

Para Barbosa, falta no país uma cultura empresarial menos voltada a altas margens de lucros, muitas vezes permitidas pelo próprio governo, e mais calcada em desenvolvimento de longo prazo.

"É necessário punir [empresas que agem à margem da ética], mas isso não basta. Deve-se retirar o Estado de atividades econômicas nas quais não deveria estar, reservando-o a serviços públicos, e diminuir as ambiguidades legais onde o empreendedor busque levar a cabo empreitadas com auxílio de gordos benefícios estatais", afirmou.

A fala aconteceu na abertura do Fórum Conformidade nos Negócios, promovido pela Folha de S.Paulo, com patrocínio da Petrobras. O evento acontece nesta segunda (11) e terça (12), no MIS (Museu da Imagem e do Som), em São Paulo.

Barbosa também criticou o que chamou de "avanço da política sobre áreas técnicas, em setores regulados pelo Estado", afirmou. "É preciso retirar as pegadas dos políticos do caminho das empresas", disse.

Para o ex-ministro do STF, as empresas devem buscar formas de se destacar no mercado sem depender da proximidade com o setor público e vantagens competitivas indevidas, até pela possibilidade de penalização de empresas e executivos não apenas no Brasil, mas por governos de outros países, caso daquelas que negociam papéis em bolsas como nos Estados Unidos.

"É preciso preparar e executar programas de ética nas empresas ["compliance", no jargão] rigorosos e transparentes, não apenas como formalidade, o que é difícil pelo clientelismo histórico do país", explicou.

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