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Estou pronto para ser preso, diz Lula em livro

Com 216 páginas, a obra reúne artigos e uma entrevista com o petista, realizada em fevereiro deste ano

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14 MAR 2018Por Folhapress12h46
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirma, em livro, que está preparado para sua possível prisãoFoto: Divulgação/Instituto Lula

Às vésperas do julgamento dos recursos contra sua condenação em segunda instância na Lava Jato, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirma, em livro, que está preparado para sua possível prisão, mas que pretende "brigar" nos tribunais superiores para provar sua inocência.

"Eu estou pronto para ser preso", declara Lula no livro "A Verdade Vencerá: O Povo Sabe Por Que Me Condenam" (ed. Boitempo), que será lançado nesta sexta (23) em São Paulo. "Eu não vou sair do Brasil, eu não vou me esconder em embaixada, eu não vou fugir. Vou estar na minha casa, chegando em casa entre oito e nove horas da noite, indo dormir às dez horas, acordando às cinco da manhã para fazer ginástica", diz.

Com 216 páginas, a obra reúne artigos e uma entrevista com o petista, realizada em fevereiro deste ano em três encontros pelos jornalistas Juca Kfouri e Maria Inês Nassif, pelo professor de relações internacionais Gilberto Maringoni (que concorreu ao governo de São Paulo em 2014 pelo PSOL) e pela editora Ivana Jinkings, diretora da Boitempo e organizadora do livro.

Na entrevista, o petista afirma que descarta a possibilidade de se exilar por acreditar que terá mais força para reverter sua condenação se continuar no país. "Vou fazer a sociedade brasileira discutir os meus processos aqui dentro", afirma. "Eu conheço companheiros que ficaram quinze anos exilados e não tiveram voz aqui dentro, no Brasil."

"Se eu tivesse cometido um erro, se eu tivesse cometido um crime, de todos esses de que eu estou sendo acusado, talvez eu fizesse isso. Como tenho plena consciência da minha inocência, eles vão pagar o preço", afirma, em referência aos investigadores da Lava Jato, a quem acusa de perseguição.

"O preço que vai ser pago historicamente é a mentira contada agora. Eu sei que é difícil eles [juízes e procuradores] aceitarem que um metalúrgico torneiro mecânico diga que eles estão mentindo. Mas eles estão mentindo."

O escritor gaúcho Luis Fernando Verissimo assina o prólogo do livro. O prefácio é escrito pelo cientista político Luis Fernando Miguel, recentemente alvo de polêmica por ter criado uma disciplina na UnB que trata o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) como "golpe de 2016".

Em janeiro, o TRF-4 (Tribunal Regional Federal), responsável pelos casos da Lava Jato em segunda instância, confirmou a condenação do ex-presidente por corrupção e lavagem de dinheiro no caso que investiga a cessão e reforma de um apartamento tríplex em Guarujá (SP). A pena foi fixada em 12 anos e um mês de prisão —maior do que a estabelecida na instância inferior pelo juiz Sergio Moro.

Ainda neste mês, o tribunal pode julgar os recursos apresentados pela defesa do petista. Entendimento atual do STF (Supremo Tribunal Federal) permite a execução da pena de prisão após encerrado o processo na segunda instância.

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