Em nota, Gleisi diz que eleição de Maduro foi legítima e constitucional

A viagem foi referendada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ela esteve com o ex-presidente, na carceragem da Polícia Federal

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10 JAN 2019Por Folhapress21h01
Gleisi Hoffmann justificou em nota sua ida à Venezuela para a posse do ditador Nicolás MaduroFoto: Lula Marques/Agência PT

A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, justificou em nota sua ida à Venezuela para a posse do ditador Nicolás Maduro, nesta quinta-feira (10), afirmando que sua eleição foi legítima, constitucional e pelo voto popular e que o Brasil sempre respeitou os princípios de soberania e solidariedade entre os países.

A viagem foi referendada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ela esteve com o ex-presidente, na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba, na quinta-feira (3).

Embora integrantes do PT afirmem não ter sido previamente consultados sobre a viagem de Gleisi a Caracas, o secretário de Comunicação do partido, Carlos Henrique Árabe, diz que a senadora representa a cúpula petista.

"Ela nos representa. E temos acordo com essa grande atitude de levar apoio do PT ao povo venezuelano", diz Árabe.

Maduro foi eleito sob suspeita de ter fraudado o resultado das eleições de maio, para um mandato até 2025.

A votação ocorreu sem observadores internacionais, com vários líderes opositores impedidos de participar e a desaprovação dos países vizinhos reunidos no Grupo de Lima (exceto o México), dos EUA e da União Europeia.

Na última sexta-feira (4), os chanceleres do Grupo de Lima assinaram um documento em que acordaram não reconhecer a "legitimidade do novo mandato" de Maduro, por considerar que as últimas eleições não contaram com as garantias necessárias de um pleito "livre, justo e transparente."

O México foi o único dos 14 países presentes que não assinaram o documento. Firmaram o mesmo os representantes de Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Santa Lúcia.

Bolsonaro tem posicionamento crítico à gestão de Maduro e já afirmou que não pretende manter relações com o país vizinho.
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Na nota de sete parágrafos, enviados já de Caracas, a senadora justifica a decisão alegando defender a autodeterminação dos povos. Segundo ela, é "para deixar claro que não concordamos com a política intervencionista e golpista incentivada pelos Estados Unidos, com a adesão do atual governo brasileiro e outros governos reacionários".

"Bloqueios, sanções e manobras de sabotagem ferem o direito internacional, levando o povo venezuelano a sofrimentos brutais", diz .

"É inaceitável que se vire as costas ou se tente tirar proveito político quando uma nação enfrenta dificuldades. Impor castigos ideológicos aos venezuelanos também resultará em graves problemas imigratórios, comerciais e financeiros para os brasileiros", afirmou Gleisi na nota.

Gleisi também se posicionou ao lado do México contra a posição do Grupo de Lima, que considera "abertamente alinhada com a postura belicista da Casa Branca".

Afirmou ainda que, "em qualquer país em que os direitos do povo estiverem ameaçados, por interesses das elites e dos interesses econômicos externos, o PT estará sempre solidário ao povo, aos que mais precisam de apoio. O respeito à soberania dos países e a solidariedade internacional são princípios dos quais não vamos abrir mão".

Também convidado pelo governo venezuelano, o PC do B será representado na posse de Maduro pelo seu secretário de Política e Relações Internacionais, Walter Sorrentino.

Em nota, Sorrentino afirma que, "no momento em que a nação e a democracia brasileiras estão em risco sob o governo Bolsonaro, de perfil autoritário e regressivo", o PC do B faz uma apelo a toda a comunidade internacional para que se respeite a soberania venezuelana.

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